quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Li e não gostei.


Acabei de ler uma matéria no site da Revista Encontro dizendo que o caso de Goiânia não foi bullying. Até aí tudo bem, nem sempre é fácil identificar o bullying e muitas vezes a informação que recebemos é através da mídia e sem a profundidade ideal para uma investigação mais elaborada. Ou seja, podemos encontrar divergentes opiniões. Para mim este episódio foi bullying sim, mas isso não vem ao caso neste post.

Na matéria que li, a especialista Tânia Zagury diz: " Não vou dizer nunca, mas é raríssimo um problema de bullying gerar mortalidade desse tipo. Até mesmo os tiros de Columbine, que marcaram a história com 14 mortes, foram associados a um desvio mental. Geralmente, esses adolescentes têm algum problema psiquiátrico. Por ser um menino muito jovem, ele pode não ter sido diagnosticado ainda. Muitas vezes, as pessoas esperam que o comportamento de quem tem uma doença mental seja algo explícito, quase caricatural, mas não é assim que acontece. Talvez o próprio fato de ele ser um adolescente considerado mais desleixado em relação ao seu corpo pode ser um indicativo.... O bullying é algo grave, mas, se provocasse esse tipo de reação, nós voltaríamos à barbárie. Na verdade, essas pessoas que têm algum tipo de problema psiquiátrico não conseguem administrar a realidade."


Quando estudamos o bullying, e grandes pesquisadores fazem isso desde os anos 70, entendemos que a agressão física e moral intensa e repetida, gera nos seus envolvidos - principalmente nos alvos dessas agressões - uma gama de consequências que variam em sua gravidade.

O que quero dizer é que quando um aluno recebe uma apelido pejorativo, é trancado no armário do corredor, tem seus pertences roubados, apanha no intervalo da escola, etc. e essas agressões ocorrem toda semana ou todos os dias, a vítima muitas vezes perde a sua própria identidade e se reconstrói baseada na violência sofrida. 

Nós somos seres únicos, temos nossa própria história, formação familiar e personalidade; por isso reagimos às situações ao nosso modo. O que me afeta, pode não causar o mesmo impacto no colega de classe, por exemplo.

Isso ocorre também com este fenômeno. Um alvo de bullying pode ter consequências mais leves e outro consequências gravíssimas, como já expliquei aqui no blog outras vezes.

Quando um alvo de bullying se torna assassino, ou então, quando um alvo de bullying comete suicídio, muita história de sofrimento gerado pelo bullying existe por trás desses finais trágicos. E isso Dan Olweus comprovou por meio de suas pesquisas (ainda) na década de 70. 

Muitos fatores contribuem para finais trágicos. Quando estudamos um caso de bullying desse tipo, quase sempre encontramos algum fator negativo na vida desses jovens, ou na sua educação e dinâmica familiar, formas de lidar com problemas, transtornos psicológicos gerados pelo bullying, falta de ajuda e amparo por sofrer essas agressões sozinhos, e até mesmo gosto por jogos violentos e armas. 

Mas não posso concordar - diante aos fatos, pesquisas e estudos sobre bullying - com a frase da pesquisadora que "é raríssimo um problema de bullying gerar mortalidade desse tipo. Até mesmo os tiros de Columbine, que marcaram a história com 14 mortes, foram associados a um desvio mental". 

O desvio mental pode ser nato ou pode ser causado por traumas externos. È claro que um aluno que mata 12 colegas em uma escola possui algum problema psicológico... SIM o bullying gera consequências como transtornos psicológicos também! 

Agora é preciso se questionar e refletir: 
  • Esse problema psicológico que nunca foi identificado, conforme cita a pesquisadora - foi despertado por qual motivo? Maldade? Raiva? Sofrimento?
  • Por que a grande maioria dos casos de atiradores em escola tem em comum o bullying? 
  • Caso o aluno não tivesse passado por situações de bullying ao longo de sua vida escolar, ele agiria da mesma forma? Teria realizado essas ações graves?
O que quero dizer é que o bullying é perigoso, pode acabar em consequências graves como assassinatos e suicídios e dizer o contrário disso desvalida uma quantidade grande de pesquisas sobre o assunto. 

O que é preciso fazer? Mostrar para os jovens que o bullying não é saudável e mais do que isso, que bullying fere o outro, por isso é crime. Você, alvo de bullying, que está lendo este post preste atenção: tem muita gente que pode te ajudar, acredite. 

Na matéria que li, e que não gostei por conta do tema bullying ter sido mal abordado, a pesquisadora levanta temas importantes que colocam em perigo a vida das crianças e jovens em fase de formação nos dias atuais. 

A palavra bullying está banalizada e a formação sobre o tema é importante. Por isso, que fique claro: Educação familiar é educação familiar; uso consciente das mídias digitais por jovens é uso consciente das mídias digitais por jovens; e bullying é bullying. Tudo pode até estar interligado, mas cada tema merece respeito e singularidade. 


Um abraço, queridos leitores, e até a próxima semana.


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Oba! Obrigada :)

2 comentários:

  1. Eu não sou especialista no assunto mas também não concordo com a frase dita da especialista sobre o assunto bullying. Acredito que muitas crianças sofreram e estão sofrendo bullying na escola. Cada uma delas enfrentam esses problemas de um jeito diferente. Mas existe aquelas crianças que tem mais dificuldade para enfrentar essa situação ou estão menos preparadas, pondo suas vidas e a vida de outros em risco .Devemos discutir e sempre falarmos com nossos filhos sobre esse assunto. Penso que as escolas não estão preparadas para lidar com o bullying. Deveriam falar e fazer discursões com profissionais da área juntamente com as crianças sobre o tema. Para conscientizar e evitar o mal que o bullying faz a uma criança.

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