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Bullying na Mídia 1...

Bullying preocupa pais e autoridades 
Por Maurício Tambasco (matéria retirada da internet às 14:00 do dia 26/07/2010)
Agressões verbais e psicológicas repetidas vezes, sem qualquer motivo aparente, são classificadas com um termo inglês: bullying, proveniente de Bully (valentão ou tirano). Ocorre, geralmente, em instituições de ensino. Um dos casos mais graves no Brasil aconteceu com um menino de 12 anos, aluno do 6º ano de uma escola municipal em Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro. O garoto foi espancado a golpes de porrete por um estudante da 8ª série, de 16 anos, no dia 5 de julho último.
Por questão de segurança, os nomes das vítimas de bullying não são divulgados. O menor de Osvaldo Cruz sofreu ferimentos na cabeça, braço esquerdo, nas costas e na orelha direita, chegando a vomitar e ficar tonto por mais de 4 horas. O suspeito das agressões prestou depoimento e o caso foi registrado como lesão corporal.
De acordo com o pai do menino, o espancamento ocorreu a uns 150 metros do colégio público. Ele acredita que se algumas pessoas não tivessem interferido e tomado o porrete do agressor, seu filho teria morrido naquele local. “Enquanto um batia, outros quatro mandavam ele bater ainda mais”, disse o garoto. Ele conta que o grupo atacou por trás, puxando a mochila dele. Foi quando ele empurrou um dos agressores, tentando se soltar. E foi este adolescente que pegou o porrete e iniciou a violência brutal.
A Secretaria Municipal de Educação divulgou uma nota informando que o fato ocorreu fora das dependências da escola. “Ao tomar conhecimento do ocorrido, a direção encaminhou os estudantes de volta à escola e convocou os responsáveis para reunião. O aluno do 8º ano, acusado de agressão, mora com a avó e, de acordo com ela, será providenciada a sua transferência, pois ele voltou a viver com os pais na cidade de Araruama”.
Responsabilidade das escolas
Médicos especialistas em bullying alertam que este problema deve ser prevenido e combatido pelas escolas. A responsabilidade é de toda a instituição e precisa envolver funcionários, professores, diretoria, pais e alunos. Eles acreditam que não se resolve o bullying escolar na polícia ou na Justiça, que são as últimas instâncias a serem procuradas, se todo o resto tiver falhado.
O combate ao bullying no Rio de Janeiro está previsto na Lei 5.089, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em outubro do ano passado. O texto ressalta que as unidades de ensino devem incluir nos projetos pedagógicos ações antibullying.
‘Brincadeira’ entre alunos
Desde o ano passado, um adolescente de 12 anos (aqui tratado como R.) vinha sofrendo ameaças de outro aluno do colégio onde estuda, na zona oeste do Rio. Ele havia recebido, inclusive, alguns tapas na cabeça. “Eu já havia reclamado na coordenação do colégio, mas nada foi resolvido. Notei que meu filho não queria dar queixa na secretaria ou diretoria para não ser chamado de dedo-duro”, conta a mãe do menino, uma jornalista que prefere não se identificar. Segundo ela, R. não estava mais disposto a estudar. “As notas dele até despencaram”.
Um dia, o estudante chegou em casa com o olho roxo, rosto arranhado e óculos quebrados. “Aí foi a gota d’água. Perguntei o que havia acontecido, mas ele não falava. Quando falou, descobri que havia sido o mesmo valentão que batia nele e em outros colegas”, diz ela. A coordenadora colégio ligou para a mãe de R. e disse que tudo não havia passado de uma brincadeira entre os alunos. Mas R. se abriu e contou que foi vítima de uma agressão gratuita.
No final das contas, os responsáveis pelo adolescente agressor foram obrigados a pagar o prejuízo dos óculos quebrados. “Dinheiro é importante, mas a integridade física da criança, mais ainda. E o pior é que os pais do agressor acreditam nele, que contou uma história diferente. Disse que meu filho tropeçou no pé dele e caiu”, critica. 
A situação é considerada pela mãe de R. como grave. “Mas pode se tornar gravíssima se ninguém tomar providência”, ressalta. O adolescente perdeu uma semana de aula após ter sido agredido e deixou de fazer duas provas. “Ele ficou com trauma, nem queria voltar a estudar. E já foi provocado por outro colega, que atirou seu material ao chão, danificando um dos cadernos. Não sinto meu filho seguro nesse lugar, que não tem detector de metais. E se algum desses rapazes estiver armado?”, questiona, preocupada.      
Para concluir, a jornalista explica que tem medo do filho se tornar agressivo. “Ele sabe artes marciais. Outro dia deu uma gravata num colega porque precisou se defender”. Ela pensa em levar o filho a um psicólogo. “Fica um trauma nele, que não foi educado para isso”, observa.

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Os perigos na internet

Reportagem do site Terra, de 21.07.2010, escrita por Ana Cláudia Barros e Mariana Desidério. Retirada às 15:30, com o título:

Intimidação é violência que mais vitima crianças na web

Após falar sobre a popularização do sexting entre jovens brasileiros e discutir a pornografia infantil na rede, Terra Magazine completa a sequência de reportagens sobre infância, adolescência e internet, tratando de um problema cada vez mais recorrente no país: o cyberbullying ou intimidação online. De acordo com a organização não-governamental SaferNet, esta versão virtual do bullying - termo em inglês usado para descrever agressões físicas ou psicológicas, ocorridas reiteradamente, sem motivação aparente - figura, hoje, entre as violações que mais vitimam crianças e adolescentes na internet.
O psicólogo e diretor de prevenção da Ong, Rodrigo Nejm, destaca que esse tipo de violência, quando praticado na rede, ganha contornos ainda mais cruéis e devastadores, em função do alcance que pode atingir.
- O que antes era uma "brincadeira", que já era ofensiva, mas ficava restrita a 20, 30 amiguinhos do colégio, agora, vai para o mundo todo. Outra: fora do contexto da escola, ela tem muito mais um caráter de agressão, porque o porteiro vai rir daquela criança, o amigo do outro prédio vai ver, os amigos de outra cidade vão ter acesso. Uma coisa é fazer uma brincadeira mais agressiva com o colega de classe, por exemplo. Outra coisa é pegar esse momento, filmar, fotografar e publicar online, disponibilizando isso para milhões de pessoas estranhas. Você eterniza a violência, que deixa de ser algo contextual e passa a ser atemporal. É como se fosse um fantasma. A qualquer momento, aquela piadinha, aquela humilhação pode voltar a aparecer na vida do sujeito.
Rodrigo explica que muitos adolescentes não se dão conta de que estão praticando cyberbullying. "Eles acham que é apenas uma piada. Mas é importante lembrar que é exatamente equivalente à calúnia e difamação, injúria. Como não são adultos, não cometem crime, mas cometem ato infracional. O que procuramos mostrar nas nossas campanhas de orientação é que a internet não é uma terra sem lei. Ou seja, tudo que você fizer, que fira o direito de alguém, é tão errado quanto realizar o mesmo ato em uma praça pública, em um shopping, em qualquer lugar".
Apesar de considerar que a educação é melhor do que a punição, Nejm vê com bons olhos a iniciativa de tribunais que têm condenado, por danos morais, pais de menores de 18 anos, apontados como autores de bullying, tanto no mundo real quanto virtual. Ele, entretando, faz uma ponderação:
- Embora tenha um efeito pedagógico, a punição dos juizes às famílias não adianta, se não tivermos um trabalho anterior. A escola tem papel central na questão. Ela precisa interferir no processo, para que a a garotada saiba das consequências antes de pagar o preço. O índice de cyberbullying diminuiria muito se os colégios tratassem o tema com mais seriedade e se colocassem como agentes de promoção do uso responsável da internet.
No segundo semestre do ano passado, a Safernet Brasil ouviu 2345 estudantes, com idades entre 5 e 18 anos, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Maranhão e Pará. Trinta e quatro por cento dos entrevistados (797 alunos) afirmaram que tiveram algum amigo agredido, humilhado ou chantageado pela internet.
 
Dor silenciosa
A mesma sondagem mostrou que apenas 21,49% comunicam aos pais, quando se sentem agredidos ou em perigo na internet. A maioria (38,89%) somente bloqueia o contato e denuncia virtualmente. Cerca de 14% disseram que desligam o computador e tentam esquecer. O restante procura soluções, como pedir ajuda a amigos ou irmãos e tentar descobrir o autor da agressão para tirar satisfação.
- Do ponto de vista psicológico, o cyberbullying é muito sério. Há adolescente que tira a própria vida após ser vítima desse tipo de humilhação. Alguns estudos revelam que grande parte dos atiradores nas escolas - algo que acontece muito nos Estados Unidos - era vítima de intimidação, online ou offline. Isso gera uma série de problemas. Bombardeada por tanta violência, a vítima tem, por exemplo, dificuldade de estabelecer novos relacionamentos. Começa a incorporar aquela humilhação. "Ah, realmente, sou o mais chato da escola, sou o mais feio, não sirvo para nada, sou um perdedor".
Nejm volta a destacar que, nos casos de cyberbullying, a perseguição ainda é mais intensa.
- A vítima vai para casa e encontra e-mail na caixa postal com a humilhação. Abre o site de relacionamento e tem um perfil falso com aquela humilhação. Olha o celular e tem uma mensagem com uma foto humilhante. Ou seja: não tem para onde escapar. Não adianta mudar de colégio e de cidade. Isso pode comprometer todo desenvolvimento da sociabilidade, dos estudos, além de apresentar dificuldade para falar em público, insônia, depressão.
Pesquisadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev) da Universidade Federal de São Carlos, Eliane Aparecida Camoanha Araujo, recomenda que a família acompanhe as crianças e os adolescentes de perto e saibam como eles se relacionam pela web. Ela participa de um projeto financiado pelo Ministério da Educação, cujo objetivo é capacitar professores de escolas públicas, ensinando-os a identificar maus-tratos, como bullying.
- Os pais devem saber o que é acessado e, se possível, bloquear alguns conteúdos. Também é importante conhecer a rotina dos filhos, o grupo de amigos e como lidam com problemas, para tentar ver se eles estão se envolvendo com o ciberbullyng, seja como autores ou como vítimas.
Para explicar um comportamento agressivo do filho, o pai e a mãe devem antes olhar sua própria postura, de acordo com Eliane. "Um lar violento acaba ensinando que a violência é uma forma de resolução de problemas ou mediação de conflitos", diz a pesquisadora.

Compactuar também é agredir
Na avaliação do diretor de prevenção da SaferNet, é preciso mudar a concepção dos adolescentes, fazendo com que entendam que compactuar com o cyberbullying é tão pernicioso quanto praticar a violência.
- O ideal seria ter os próprios jovens vigiando, mas isso ainda está distante. As pessoas recebem o conteúdo por e-mail e acham graça. Ficam até com dó, mas pensam: "Não fui eu que fiz" e repassam a mensagem. Quem abre, quem repassa, também está agredindo. Quando você repassa o e-mail ou divulga o site em que alguém está sendo humilhado, você também ajudou a promover a violência porque mais pessoas vão ver, causando mais danos à vitima.

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Bullying no condomínio, o que fazer?


Olá amigos, muito trabalho por aqui... vejo que vocês participam do blog e isso é muito gratificante! Continuem mandando emails, mensagens e comentários, é muito bom compartilharmos experiências!! 
E por falar nisso, recebi um comentário aqui no blog muito interessante e resolvi escrever este breve texto sobre ele, lá vai:

O que fazer quando o bullying acontece dentro do seu próprio condomínio?

O lugar onde o bullying mais acontece é na escola. E esta, cada vez mais, se prepara para enfrentá-lo, tomando medidas de prevenção e combate. Na escola, o bullying pode ser trabalhado por meio de palestras, dinâmicas envolvendo alunos e pais, capacitação de educadores, projetos e muitas outras ações que resultam na queda do fenômeno. 

Afinal, é dever da escola, como profissional de educação, formar alunos e cidadãos, cuidando do bem estar físico e psicológico de seus alunos.

Mas e quando o bullying acontece dentro do seu próprio condomínio residencial? 

Isso é possível, visto que o bullying acontece em qualquer lugar onde existam relações interpessoais, portanto na escola, trabalho, clubes recreativos, faculdades, quartéis e, até mesmo, nos condomínios.

As seguintes medidas podem ser tomadas para a prevenção do fenômeno nas residências:
* conscientização por meio de cartazes
* constar na pauta da reunião de condomínio o item bullying, para ser discutido com os pais
* panfleto com sugestões de livros sobre o assunto
* cada pai e mãe deve conversar com seus filhos sobre o tema
* colocar uma caixinha na portaria para denúncias anônimas
* reunir outros condomínios para uma palestra com especialista

Agora, seguem as medidas para o combate, uma vez identificado uma suspeita ou um caso de bullying:
* denúncia aos pais do caso ou da suspeita
* comunicar ao síndico e chamar uma reunião com todos os pais e mães do condomínio para que, SEM acusar ninguém, o bullying seja esclarecido para que todos possam evitar que seus filhos se envolvam com o fenômeno
* Lembrar sempre que o autor de bullying também precisa ser ajudado e não punido
* Solucionarem o caso imediatamente com ações decididas pelos pais dos envolvidos e o síndico como mediador da conversa
* O encaminhamento psicológico quase sempre é necessário para todos os envolvidos (a escola pode dar uma dica de profissional especializado)

Essas dicas são importantes e devemos sempre ficar ligados em todas as ações dos nossos filhos, eles sempre nos dão dicas e pistas que nos permitem uma identificação do bullying se estiverem, de fato, envolvidos. 

Grande abraço a todos,
Carolina.
contato.bullying@yahoo.com.br


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Oportunidade

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