domingo, 10 de abril de 2011

Tragédio no Rio: Foi Bullying?

Olá Amigos do blog Bully No Bullying...

Esta semana assistimos a um episódio muito triste ocorrido em Realengo, Rio de Janeiro.No dia 7 de abril, logo no início das aulas matinais na escola municipal Tasso da Silveira, um homem de 23 anos, ao entrar na escola, dispara contra os estudantes e mata mais de dez alunos. Logo após, comete suicídio.

É verdade que nenhum caso de bullying acaba bem, principalmente quando não há nenhuma intervenção educativa, pedagogia e psicológica presente para se combater o caso.
Muitos episódios terminam em grandes tragédias, e envolvem muitas mortes. Porém, será que podemos considerar o episódio de Realengo um caso de bullying?

Vamos analisar os fatores que envolvem o caso:

Wellington Menezes de Oliveira:
Wellington foi quem cometeu o ataque a escola em realengo, deixando como rastro várias mortes e pessoas feridas.
Sua mãe biológica sofria transtornos mentais, e entregou Wellington a uma família adotiva quando o garoto possuía mais ou menos 10 meses de vida. O rapaz chegou a conhecer a mãe biológica e alguns parentes de sangue.
Trabalhou como encarregado de serviços gerais e, dois anos depois foi promovido a auxiliar de almoxarifado em uma empresa de produtos alimentícios.
Ele morreu com 23 ou 24 anos, as informações ainda são dúbias, morava sozinho na casa em que seus pais biológicos, já falecidos, haviam deixado a ele como herança. A mudança para esta casa ocorreu logo após a sua mãe biológica falecer.
Nos meses que antecederam a tragédia, o garoto considerado apático estava desempregado.

Família Adotiva:
Wellington morava com uma mãe adotiva e alguns irmãos, embora se saiba que há alguns meses a família não tinha muito contato com o rapaz, pois este foi morar sozinho.
A mãe de criação levou o garoto a psicólogo, inclusive por indicação da própria escola na época em que estudava lá em Realengo, porém ao completar 18 anos, o rapaz decidiu não continuar o tratamento.
Um dos irmãos adotivos de Wellington disse: “Minha mãe o levou ao psicólogo. Na própria escola foi pedido que o levassem ao psicólogo. Ele começou a ir, mas quando fez 18 anos, parou. Minha mãe o tratava melhor do que aos próprios filhos”.

O que pensavam os vizinhos?
O rapaz viveu no bairro de Realengo por mais de 20 anos, e os vizinhos o consideravam quieto, tímido, sem amigos, estranho e muito inteligente. Uma vizinha conta que na rua onde morava Wellington, ele era motivo de chacotas e que as meninas pegavam muito em seu pé. Disse também que a mãe adotiva contou várias vezes que Wellington era calmo, tranqüilo, mas que as vezes batia com a cabeça na parede.
Outro morador do bairro, dono de um bar, conta que Wellington sempre passava por lá e comprava refrigerante. Andava sozinho, com muitos livros, e gostava de jogos e computador. Este vizinho diz que Wellington nunca bebeu e nem comprou nada alcoólico e que achou estranho seu comportamento nos últimos meses.

Histórico de Wellington na escola:
O rapaz tinha as notas médias e baixas, sempre quieto, pensativo e com poucos amigos. Não gostava de esportes, não compareceu a formatura da oitava série e não era visto com namoradas.
Possuía o apelido de “Sherman”, em referência a um personagem “nerd” do filme “Americam Pie” e de “Suingue”, pois andava mancando. Vejam alguns depoimentos de conhecidos e ex-colegas de turma:
“O jeito estranho e esquisito dele. Na época da escola, as pessoas sacaneavam, botavam apelidos, principalmente sobre sua forma de andar vestido. As meninas eram as que mais zombavam dele”.
Assistam ao vídeo:
O rapaz era ex aluno da escola em que entrou atirando no dia 7 de abril de 2011.

Arma do crime:
A arma do crime foi comprada por ele com a ajuda do chaveiro Charleston Sousa Lacerda, de 38 anos, este falou com um amigo, o desempregado Isaías de Sousa, de 48 anos, e conseguiram um revólver calibre 32 para Wellington.
Apesar de terem recebido 110 euros pela arma, que estava desaparecida desde que fora roubada há 15 anos na zona rural, eles ficaram com muito pouco desse dinheiro.
Wellington usou no massacre também uma outra arma, mais poderosa, um revólver calibre 38, que tinha a numeração de série raspada, o que dificulta o seu rastreamento.
Ontem, ao serem apresentados à imprensa, Charleston e Isaías declararam-se arrependidos de terem vendido a arma a Wellington. Isaías afirmou a jornalistas que se sente culpado em parte pelo massacre, pois forneceu uma das armas ao criminoso, e que chorou muito ao ver a notícia na televisão, pois tem uma filha e uma enteada com idades próximas às das alunas que morreram.

A segurança da escola:
O Wellington entrou na escola facilmente sem que fosse pedido uma identificação. Inúmeras vezes a Aline e eu entramos nas escolas dessa maneira! Basta falar que é palestrante e pronto, está lá dentro. Atenção governantes!  Atenção escolas! Em que época vivem? Muitas ainda estão paradas no tempo da revolução industrial...

Os últimos meses:
Wellington nos últimos meses passou a vestir apenas roupas pretas, deixou a barba crescer até o peito e parece ter se envolvido com o islamismo. Um primo disse que ele se dizia fundamentalista e que queria jogar um avião no cristo redentor.
A polícia encontrou em sua casa computadores queimados, e dez bíblias. Depois da morte da mãe biológica testemunhas contam que ele passou a fumar, beber e ficava o dia inteiro na internet.
Passou os últimos dias da sua vida planejando a tragédia, cortou a barba cinco dias antes para não levantar suspeitas ao entrar na escola e escreveu uma carta de despedida.

A carta de despedida nos mostra o quanto Wellington estava envolvido com seitas religiosas. Fanático, aponta com detalhes como deve ser seu enterro. Na carta, a única referência que nos faz pensar em bullying é a seguinte frase: “Ninguém que no passado não tenha se dado bem comigo deve me beijar, visitar ou se despedir de mim.” No mais, vemos que Wellington, de fato, era perturbado.
A perturbação não está apenas no fato de ter sido alvo de bullying. Talvez a herança genética de sua mãe portadora de esquizofrenia tenha ajudado, assim como o fato da morte dos pais, do desligamento prematuro entre sua mãe biológica e ele, do auto-isolamento, da falta de amor próprio e objetivo em sua vida serem um complemento ao conjunto de fatores que nos ajudam a entender os motivos que o levaram a cometer este crime.

Desta vez, não podemos dizer que a culpa é a apenas do bullying. Que foi por ter sofrido bullying que Wellington fez isso. Há uma série de acontecimentos na vida do rapaz que o levou a cometer esta injustiça tão grande contra aquelas crianças.

Fonte:  
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/mundo/arma-do-massacre-do-realengo-custou-110-euros
http://aceveda.com.br/blog/?p=27797
http://www.sidneyrezende.com/noticia/127644+irmao+de+wellington+afirma+que+tratamento+psicologico+foi+interrompido
http://aceveda.com.br/blog/?p=27892

2 comentários:

  1. Olá Carolina. Parabéns pelo texto...só corrigiria a questão do valor da arma que está em euro (rsrsrs). A Internet está repleta de opiniões e comentários absurdos que correlacionam o fato à um evento religioso. Sou Psicóloga e sei que a questão religiosa foi apenas um mecanismo de "racionalização" que este rapaz usou para que seu DELÍRIO fizesse sentido...é isso que os portadores de Psicose fazem. Como você também penso que diversos fatores ambientais constribuiram para construção da personalidade patológica do rapaz, além do componente genético. Mais uma vez parabéns pelo trabalho e espero que você continue ajudando muitas pessoas...também sofri bullying na escola, em uma época que nem tinha ouvido falar sobre isso e todos achavam normal. Isso é um problema sério nas escolas e deve ser tratado como assunto de suma importância nas escolas.

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  2. Obrigada! Escrevi em euro porque de fato não sei a data da compra da arma e o valor em real que Wellington pagou por ela. Deixe seu contato! Realmente a internet sai divulgando muita besteira, e nós precisamos ter cautela!
    Mais uma vez obrigada!

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Li e não gostei.

Acabei de ler uma matéria no site da Revista Encontro dizendo que o caso de Goiânia não foi bullying. Até aí tudo bem, nem sempre é fác...