quarta-feira, 26 de maio de 2010

Análise do Curta: A peste da Janice.

(no post de sexta passada, ou melhor sábado de madrugada, há o link para quem quiser asssiti-lo)
 
A peste da Janice

Bom pessoal, o curta é interessante, um pouco simples, sem grandes novidades, é bem sentimental, mas, vale gastar 15 minutinhos do seu tempo assistindo-o. Dá para ser trabalhado em sala de aula, até mesmo, com a turminha do fundamental um.

Vamos lá! Analisarei personagens principais e, depois, farei um comentário geral:

JANICE: no filme, Janice é a garota nova na escola, filha da faxineira, encontra dificuldade de inserir-se no grupo. Veste-se com roupas maiores do que o seu tamanho, o sapato não é tão lustrado como o das outras garotas e, seus ombros, sempre caídos. Tenta fazer amizade com uma garota, a Virgínia (na sinopse está escrito que ela também é nova na escola, mas ficou um pouco confuso no filme). Quando termina a aula, Janice aguarda alguns minutos a mais no colégio para poder ir embora. Não apareceu no filme, mas, como Janice é um alvo bem típico de bullying, dá para perceber que ela fazia isso, para não ser agredida psicologicamente, também, lá fora.

Crítica: no filme, Janice possui um ar de coitadinha, vítima, inferior... O diretor realça que Janice possui uma condição econômica inferior ao das outras meninas do colégio de maneira a vitimá-la. Tudo bem, o curta é melodramático, não poderia ser diferente, mas, um aluno novo na escola, seja ele rico, pobre, feio, bonito, tímido ou não, encontra dificuldade de inserir-se no grupo e, também, pode ser alvo de bullying. Para aqueles que pensam como um autor de bullying, o fato dela ter condição financeira inferior ao das garotas, estudar na mesma escola que elas, seria um “bom” motivo para Janice ser zoada.
No caso, Janice foi alvo de uma agressão psicológica, de uma “Brincadeira” que faz chorar. Pois, repetidamente, freqüentemente e intencionalmente inventaram para ela um boato, que se tornou uma “brincadeirinha” entre as meninas do colégio. 

MÃE: A mãe da Janice á a faxineira da escola e, por direito, possui uma vaga para a sua filha única estudar no colégio. Trabalha no intervalo, na entrada e na saída da menina, ou seja, está presente nos mesmos espaços escolares que a filha, ás vezes até, no mesmo momento. No filme, Janice pedi a sua mãe para que, depois que as aulas acabassem, aguardar na escola o término do trabalho da mãe. Mas, a mãe diz que não, pois, Janice tem que jantar, fazer dever de casa, se encontrar com a avó. “Não e Não Janice!”, diz a mãe.

Crítica: a mãe de Janice, assim como a maioria das mães e pais que desconhecem o que é o bullying, não fica atenta as pistas. Estes pais e mães nem imaginam que seus filhos possam dar indícios de envolvimento com o fenômeno seja exercendo o papel de autor de bullying, seja, como no caso do filme, exercendo o papel de alvo dessas agressões. Por isso, buscar informações sobre o que é o bullying, como identificá-lo, como preveni-lo e combatê-lo é essencial para a diminuição dos casos. Além disso, voltando para a mãe da Janice e estendendo a crítica para as outras mães e pais, que negócio é esse de não e não? “Péra aí”! ... O não é muito importante na formação dos nossos filhos, resume, se é que posso dizer assim, o limite na educação deles. Mas, antes de dizermos não, devemos nos atentar ao pedido dos nossos filhos. Vejam só: “Janice, minha filha, por que insiste tanto em voltar comigo para casa? O que está acontecendo? Quer conversar em casa? Posso te ajudar com alguma coisa?”. Pessoal essa frase é criação minha ok? Não está no filme! Mas, deu para sacar o que quero dizer, né? Daria uma abertura para que a Janice pudesse cofiar em sua mãe e, talvez, contar como se sente e o que está acontecendo. Menos de 5% dos alvos de bullying contam que estão sofrendo, e nós, que não estamos envolvidos diretamente com o fenômeno, podemos e devemos mudar essa situação.

VIRGÍNIA: ela é a outra garota nova na escola. O filme mostra que ela se veste melhor, usa os sapatos iguais aos das outras meninas, fez amizades com a turma, também aparenta ser tímida, assim com Janice. É doce e gosta da Janice, conversa com ela somente quando não está na escola. 

Crítica: Claramente entendo que, no filme, o fato da Janice ser alvo de bullying é pela sua condição social. O curta mostra algo que não gostei, pois, parece que somente as pessoas com classe inferior é que sofrem bullying ao entrar na escola nova. Isso porque ambas eram novas, tímidas, mas uma vestia-se melhor e não era a filha da faxineira. Esta, a Virgínia, consegue um entrosamento rápido com a turma, e nem sempre é assim, mesmo tendo condições melhores. Acredito que para mostrar mais a realidade do bullying, a aceitação de Virgínia pela turma, não deveria ser tão pacífica assim. Virginia fica dividida entre a amiga que gosta, Janice, e a turma da escola. Pensa como uma espectadora de bullying, “é melhor eu me unir aos autores do que me tornar o próximo alvo”!. Parece esperto este pensamento, mas, além de contribuir para que o caso não acabe, sofre por ficar dividida e achar que não pode fazer nada para ajudar a amiga.

PROFESSORA: A professora não percebe que o bullying acontece na sua sala de aula. Dá mais importância para as questões de etiqueta (“superficiais”), do que para as questões morais. Não demonstra nenhuma intervenção para conter o bullying, mesmo quando tem oportunidade. O filme não apresenta solução para o caso.

Crítica: Começo por um dado intrigante, na vida real, pesquisas recentes indicam que o local onde o bullying mais acontece é a sala de aula, com a presença da professora. Então, neste caso, o filme retrata bem o comportamento da maioria dos professores e profissionais da educação. Ora, a professora teve a oportunidade de mediar uma situação de conflito quando, no filme, a autora é pega jogando bolinha de papel na Janice. E a professora, não deu a mínima para o sentimento de Janice, para as questões morais ali envolvidas, como respeito ao próximo, cidadania, desperdício, justiça, conhecer o outro, refletir sobre suas ações. Ela se preocupou em chamar a atenção da autora pelo seu comportamento indisciplinar, dizendo: “isso é jeito de menina se comportar?”, “ninguém gosta de menina que não estuda!” (claro que gosta gente! Gostam das que não estudam , gostam das que estudam, tem gosto para tudo nesse mundo!!) O que as garotas fizeram com o discurso da professora? Seguraram o riso, aquilo não acrescentou em nada na vida delas como alunas e cidadãs! E, infelizmente, essa é a postura da maior parte dos professores, afinal, classe boa é aquela que não dá um piu, não é? Sim? Não?

MARINA: autora de bullying típica, a líder da turma, falante, gosta de chamar a atenção, não reflete sobre suas ações e nem o sentimento alheio. No filme, Marina inventa que, quem encostasse na Janice, pegaria a peste dela (referindo-se a sujeira, pois tiravam sarro da mãe dela que era faxineira da escola). O boato acaba por virar uma “brincadeira” de mau gosto e, mais cedo do que se imagina, torna-se uma agressão psicológica a Janice.

Crítica: Marina é aquela “sem noção” sabe? E sai por aí rindo, zoando, ferindo, agredindo as pessoas sem se importar, ou melhor, sem pensar que pode magoar, ferir e até mesmo matar alguém. Matar? É. Matar sim, em casos extremos o bullying mata. (Colocarei um post sobre isso mais para frente). A professora não soube trabalhar com o bullying em sala de aula e, Marina, continuou com suas agressões. As conseqüências para Janice são muitas, mas para Marina, assim como para todos os autores de bullying, também são.

Querem saber o Final do Curta?

Bem, no final do filme a amiga, Virgínia, tem que escolher entre continuar a “brincadeira” de “passar a peste da Janice” para outra garota, já que alguém a encostou, portanto, “pegou a peste”; ou parar com isso. Mas, o filme não mostra o que Virginia escolheu!!!!! Da para acreditar????

Quem for sentimentalista, emotiva e romântica, assim como eu sou, vai acreditar num final feliz, é claro! Com a Virgínia fazendo um discurso para classe sobre as conseqüências daquela violência a Janice, colocando um fim na “brincadeira”, todos se abraçando, pegando a Janice no colo, enfim, dando um basta no bullying. 

Mas, mesmo sendo tão emotiva, conheço a realidade e os meus anos pesquisando o bullying me mostram que, o final, não seria assim tão feliz para a Janice. E, caso nenhum educador interviesse de maneira positiva contra o bullying, Janice seria agredida psicologicamente e, quem sabe até fisicamente, por longos anos de escola!!

Gostaram do curta? Possuem críticas, comentários? Identificaram-se com algum personagem? Deixem comentários ou escrevam para: contato.bullying@yahoo.com.br

Abraços, Carol.

9 comentários:

  1. Joao Luis Focola Pereira27 de maio de 2010 22:05

    Achei interessante seu comentário, mas tem algum filme que o alvo não possui as carcterísticas como timidez e ombros caídos como a Janice? Geralmente os alvos são assim naum é mesmo? Esse blog é muito legal, os filmes analisados me agradam muito, parabéns!!!
    Valeuuuuuu

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  2. Olá Joao Luis, em "Garotas Malvadas" você conseguirá perceber outras características no alvo de bullying!!

    Grande Abraco,
    Carol.

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  3. Gostei Muito da sua história foi muito sentimental .. xau

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  4. Primeiro, parabéns pelo blog que trata de um tema central hoje para as escolas.
    Nossa! Olha só: não podemos perder de vista que a arte é ampla, principalmente quando procura reproduzir uma história verídica. Ao que estou a saber "a peste da Janice" retrata um fato real.
    Os deslizes são reais, da professora, do fato de focar a condição social, de ficar sem resposta concreta sobre "um fim".
    Sobre este fim, vale lembrar que a estratégia de deixar para o espectador ou leitor a imaginação sobre o fim tem origem em grandes nomes da arte. Salve Machado em D. Casmurro, por exemplo.
    Diante disso, eu acredito, caso seja reprodução cênica de fato verídico, de alta contribuição para reflexão do bullying. Isto é, sobrepõe-se as "lacunas" ou fatos estranhos do curta o grau de violência submetida a criança.
    Há que levar em consideração também que por mais que seja comum prática de bullying em qualquer classe social, fica explícito que os autores deram voz a algo que ocorreu daquela forma. Coisa que não é impossível, e assim mais vale a arte. Bom, valeu pelo trabalho!
    Pablo

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  5. Muito obrigada, Pablo, pela contribuicao! Abracos

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  6. Oi, Carolina! Meu nome é Pedro e sou professor de História. Trabalhei a Peste da Janice com turmas do nono ano e, além de discutirmos várias questões, a do bullying, claro, foi a mais premente. Pedi aos estudantes que criassem um final para a história da Janice, baseando-se nos próprios elementos que o filme fornece. Ora, qualquer final seria possível, mas a história contada a respeito da amizade de Janice e Virgínia dão indícios prováveis de um final senão feliz, pelo menos inesperado para as outras meninas da classe. Meus alunos e alunas na sua maioria optaram por um final romântico e feliz e apenas dois ou três num universo de 250 trabalharam com a ideia de que no filme, não havia indícios fortes de que Virgínia continuaria com o bullying!

    Abraço.

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    Respostas
    1. Professooor Pedro! Que Sorte Te Encontrar Aqui! Abraço Dá Isa , Sala B ❤

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    2. Professooor Pedro! Que Sorte Te Encontrar Aqui! Abraço Dá Isa , Sala B ❤

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  7. Achei um belo curta, e discordo que, ao apontar uma linha, o curta exclui o nega as outras possibilidades. E apenas um curta em que uma menina é vitimada por ser de classe social considerada "inferior", oque o corre sim, e com muita frequencia, assim como também ocorre de outras formas. Mas o fato é que não dá para fazer um curta que retrate todas as variáveis. Importa que a abordagem escolhida seja bem desenvolvida, e eu creio que foi. Mas respeito sua opinião. Abraços.

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