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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entrevista com o Professor Neemias Moretti Prudente - JR

Olá Pessoal

Nesta semana, posto uma entrevista exclusiva sobre Justiça Restaurativa, que o professor Neemias Moretti Prudente fez para o Blog Bully No Bullying. 
Agradeço ao professor esta oportunidade de esclarecer e divulgar este assunto tão importante para as escolas!
Segue a entrevista:


  NEEMIAS MORETTI PRUDENTE
  Mestre em Direito Penal pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP/SP). Especialista em Direito Penal e Criminologia pelo Instituto de Criminologia e Política Criminal e Universidade Federal do Paraná (ICPC/UFPR). Especializando em Direito Penal e Processo Penal pelo Instituto Paranaense de Ensino (IEP/PR). Professor de Ciências Criminais. Estagiário do MP/PR. Membro de vários institutos ligados a Ciências Criminais. Membro do Corpo Editorial da Revista SÍNTESE de Direito Penal e Processual Penal, entre outros. Palestrante em Congressos e Universidades em todo o país. Autor de diversos artigos em revistas e jornais especializados nacionais e estrangeiros. É coautor dos livros: “Cultura de paz: restauração e direitos” (UFPE, 2010) e “Justiça restaurativa e mediação: políticas públicas no tratamento dos conflitos sociais” (Unijuí, 2011). É organizador e coautor do livro: Monitoramento Eletrônico em Debate (Lumen Juris, 2012). É autor do livro “Introdução aos Fundamentos da Vitimologia” (Atlas, 2012, no prelo). E-mail: neemias.criminal@gmail.com. Acompanhe meus Blogs: infodireito.blogspot.com e justicarestaurativaemdebate.blogspot.com; Siga-me no Twitter: @neemiasprudente e me encontre no Facebook: facebook.com/neemiasprudente



1.Bully No Bullying: O que é Justiça Restaurativa?

A Justiça Restaurativa é uma forma pacifica de resolução de conflitos, onde as próprias partes afetadas/interessadas por um conflito (vítima, infrator e, quando apropriado, membros da comunidade) participam ativamente na resolução deste conflito, geralmente com a ajuda de um facilitador capacitado.

2.Bully No Bullying: Quando o bullying deve se tornar um caso de polícia?

O bullying deve tornar-se um caso de polícia quando não resolvido por meios alternativos ao sistema tradicional de justiça. Quando a justiça restaurativa (ou outras medidas alternativas) não conseguir resolver o conflito, deve-se recorrer à velha e necessária justiça tradicional. Todavia, embora as respostas repressoras/punitivas (como a expulsão de alunos agressores ou recorrer ao judiciário) são válidas, nem sempre (ou, na maioria das vezes) é a solução mais adequada, por isso devem ser evitadas, tanto quanto possível. Agora, o bullying existe, é danoso e não pode ser admitido – necessita de respostas, e a justiça restaurativa é uma delas (e não somente).

3.Bully No Bullying: Quando a Justiça Restaurativa pode ajudar nos casos de bullying?

O bullying é uma forma de conflito que ocorre no ambiente escolar, e como qualquer conflito, a justiça restaurativa se apresenta como um mecanismo eficaz para a resolução de tal conflito. Nos casos envolvendo bullying, as práticas restaurativas (v.g. mediação, conferências familiares, círculos) proporcionam a vítima, agressor e outros afetados/interessados no caso (testemunhas, familiares, amigos, comunidade escolar), a oportunidade de se reunirem, exporem os fatos, dialogarem sobre os motivos e consequências do ato, visando identificar as necessidades e obrigações de ambos. A vítima pode dizer que a atitude a incomoda e que está mal com isso. O agressor é levado a entender o que ocorreu, conscientizando-se dos danos que causou a vítima (v.g. material, psicológico) e, a partir daí, tende a assumir a responsabilidade por sua conduta, reparando o dano (lato sensu), inclusive cessando a agressão. Em seguida, firma-se, então, um acordo/compromisso. Em muitos casos é possível o arrependimento, a confissão, o perdão e a reconciliação entre as partes. O encontro é acompanhado por um facilitador capacitado para esta prática (v.g. professor, aluno, assistente social, psicólogo), que tem como objetivo ajudar as partes a se entenderem, refletirem e chegarem a uma solução para o caso. Enfim, com a justiça restaurativa, escolas aprendem que, em vez de punir, é melhor dialogar para solucionar os conflitos. 
Imagina a cena. Um aluno ofende um colega de sala com um apelido humilhante, repetidamente. Pouco tempo depois, a pedido da vítima, os dois se reúnem na presença de outras pessoas (famílias, professores etc.) e, após das devidas desculpas, é feito um acordo para que o confronto não volte a acontecer. Sem mágoas. Isso é possível? Sim, com a Justiça Restaurativa (caso real).

4.Bully No Bullying: Você acredita que as escolas possuem recursos para resolver os casos de bullying?

De forma alguma, as escolas não estão preparadas nem possuem recursos (v.g. físicos e materiais) para resolver os casos de bullying. Mais triste ainda é saber que a maioria das escolas dizem que “aqui não há bullying”. Na verdade, a escola (em sua maioria) não conhece o assunto, e quando conhece não desenvolve programas antibullying. Inclusive e infelizmente, as escolas que afirmam que lá não ocorre bullying é provavelmente aquela onde há mais incidência desta prática.

5.Bully No Bullying: O que acha das leis que surgem para punir autores destas agressões?

As respostas repressivas/punitivas não são as melhores, principalmente para os casos de bullying, onde a maioria dos agressores são crianças e adolescentes (partindo do princípio que o bullying ocorre tão e somente no ambiente escolar). Todavia, não há ainda, no ordenamento jurídico brasileiro, norma específica para punir os casos de bullying. O que há é legislação (civil, criminal, administrativa) que pode ser aplicada aos casos de bullying (por exemplo: na área cível, podemos falar em ação de danos morais e matérias; Na área administrativa, podemos falar em expulsão; Na área criminal, podemos falar em injúria, difamação, ameaça, lesão corporal, homicídio, extorsão, furto, roubo, estupro, constrangimento ilegal, entre outros). Condutas estas que estão previstas na legislação em regência e podem, também, ser aplicadas em casos de bullying.
De acordo com o anteprojeto do Novo Código Penal (em tramitação na Câmara dos Deputados), a prática de bullying pode virar crime. A prática de bullying, que será considerada no anteprojeto “intimidação vexatória”, terá pena de um a quatro anos de prisão. Pela proposta, pratica o crime quem “intimidar, constranger, ameaçar, assediar sexualmente, ofender, castigar, agredir ou segregar “criança ou adolescente “valendo-se de pretensa situação de superioridade. O crime pode ser realizado por qualquer meio, inclusive pela internet (cyberbullying). Se o crime for praticado por menores, em caso de condenação, lhes serão aplicadas medidas sócio-educativas, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Também, podemos citar o Projeto de Lei n.º 3036/2011, que obriga as escolas a instituir comissão antibullying (atualmente tramitando na Câmara dos Deputados).
Por fim, embora nota-se um avanço no trato da matéria, é preciso comprometimento das autoridades para com o bullying, bem como políticas públicas e investimentos em sua contenção e prevenção. Além de ser imprescindível para tudo isso, a criação de uma legislação especifica que trate do bullying.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Violência presente nas escolas do país.


Pesquisa realizada pela Universidade Federal Fluminense em 13 escolas do Rio de Janeiro e 40 de Niterói e São Gonçalo, dentre estaduais, municipais e federais, constatou que 68% delas mencionaram casos de violência em suas instituições. Ao lado disso, a pesquisa constatou também que em 85% delas não havia psicólogos, ainda que 73% dos profissionais entrevistados reconhecessem ser desejável a ajuda de um psicólogo atuando em auxílio à educação.
O trabalho e seus resultados serão apresentados pela autora, professora Marília Etienne Arreguy, do Departamento de Fundamentos Pedagógicos da Faculdade de Educação da UFF, durante o 3º Ciclo Internacional de Conferências e Debates: “Crises na Esfera Educativa - Violências, Políticas e o Papel do Pesquisador”, dias 23 e 24 de abril, das 9h às 17h, no Auditório Florestan Fernandes da Faculdade de Educação da UFF, Campus do Gragoatá, Bloco, D, São Domingos, Niterói.
Segundo Marília Arreguy, os professores se sentem desamparados nessas situações, o que evidencia a necessidade de inclusão de profissionais como psicólogos e assistentes sociais na rede pública, para mediação dessas relações conflituosas com crianças, jovens e suas famílias, antes que resultem em casos como o da escola de Realengo, que também é analisado pela pesquisadora. E, ainda, pode estar havendo uma medicalização excessiva de crianças, em casos diagnosticados apressadamente como de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e “bullying”, mas que na verdade seriam comportamentos decorrentes mais das situações de risco em que vivem e são educadas essas crianças e jovens.
Dentre as instituições pesquisadas, 45% eram estaduais, 35% municipais, 3% federais e 17% particulares. A pesquisadora lamentou a ausência de profissionais de psicologia e de assistência social dentro das escolas, sobretudo nas públicas, e concluiu que a violência crescente nessas instituições de ensino é acentuada pela falta de apoio aos alunos, na sua maioria, pobres. "Alguns funcionários riram quando perguntados se havia psicólogos nas escolas e respondiam que, se faltava professor, ainda mais psicólogos. Apenas uma escola pública, no Rio, tinha um contingente minimamente razoável de psicólogos."
Segundo Marília Arreguy, a maioria dos alunos considerados violentos é encaminhada para o serviço público de saúde e muitos parentes acabam não levando os filhos para a consulta com um psicólogo, por variados motivos, como falta de meios para pagar a condução, falta de tempo, por preconceito, filas de espera enormes para atendimento, falta de profissionais, entre outros.
"A violência é fundamentalmente social, contextual e humana. Essa agressividade inerente ao humano precisa ser trabalhada nas escolas para que ela não se transforme em violência e ajude o aluno a viver melhor. Esse trabalho não está sendo feito ou está sendo feito de modo ineficiente. Essas crianças estão sem assistência e acabam, muitas vezes, sendo medicadas, como se esse fosse apenas um problema do indivíduo."
O encontro faz parte de um projeto de cooperação entre pesquisadores e profissionais brasileiros e franceses das áreas de saúde e educação. A pesquisadora francesa Sophie de Mijolla-Mellor, da Universidade de Paris Diderot, abre o encontro falando da responsabilidade política dos intelectuais. Serão discutidos ainda as dimensões da violência na educação contemporânea, a (in)segurança nas escolas e o problema do “bullying”, dentre outros temas.

(Fonte: Universidade Federal Fluminense)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Bullying e Religião

Professora evangélica prega em aula e aluno sofre bullying na escola

 
Adolescente e seus pais em casa (Foto: Tiago Silva/DGABC) 

Adolescente de 15 anos passou a ser vítima de bullying e intolerância religiosa como resultado de pregação evangélica realizada pela professora de História Roseli Tadeu Tavares de Santana. Aluno do 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Antonio Caputo, no Riacho Grande, em São Bernardo, o garoto começou a ter falta de apetite, problemas na fala e tiques nervosos.

Ele passou a ser alvo de colegas de classe porque é praticante de candomblé e não queria participar das pregações da professora, que faz um ritual antes de começar cada aula: tira uma Bíblia e faz 20 minutos de pregação evangélica aos alunos. O adolescente, que no ano passado começou a ter aulas com ela, ficava constrangido. Seu pai, o aposentado Sebastião da Silveira, 64 anos, é sacerdote de cultos afros. Neste ano, por não concordar com a pregação, decidiu não imitar os colegas. Eles perceberam e sua vida mudou.

Desde janeiro, ele sofre ataques. Primeiro, uma bola de papel lhe atingiu as costas. Depois, ofensas graves aos pais, que resolveram agir. "Ficamos abalados", disse Silveira. "A própria escola não deu garantias de que meu filho terá segurança."

O garoto estuda na unidade desde a 5ª série. Poucos sabiam de sua crença. E quem descobria se afastava.Da professora, ouviu que pregação religiosa fazia parte do seu método. Roseli não quis comentar sobre o caso.

A Secretaria Estadual da Educação promete que a Diretoria de Ensino de São Bernardo irá apurar a história e reconhece que pregar religião é proibido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Na escola, os alunos reclamam da prática. "Não aprendi nada com ela. Só que teria de ter a mesma religião que ela", disse um menino de 16 anos.

O que acha disso?
Escreva para nós! 

terça-feira, 20 de março de 2012

Denúncia de mais um caso - O desabafo de um alvo

"Oi, meu nome é Ricardo (nome fictício), tenho 15 anos e estudo na escola estadual onofre pires em santo angelo -RS comecei a estudar lá esse ano no primeiro ano do ensino médio, desde que comecei a estudar lá venho sofrendo bulling por quase toda a turma e inclusive por parte de alguns professores, quando perguntei a minha professora de geografia porque ela não fazia nada enquanto eu sofria agressões verbais ela disse "a aula é uma democracia", eu venho sendo agredido desde que me assumi gay, alguns alunos estavam simulando sexo oral e anal em um ursinho de pelúcia e me chamando de viado,viadinho,gayzinho,chupa rola,pau no cú entre todas as ofensas posiveis, e hoje durante a aula de física um colega de classe veio me xingando e perguntando se eu queria apanhar porque era viado, e eu respondi: eu não tenho medo de você, e na saida ele disse "se você não tem medo de mim, vai levar facada pra aprender", no final da aula eu falei pra minha professora pra ficar um tempo a mais durante a aula, ela nem fez conta, eu não levei a serio, e sai da escola normalmente fiz uma menção a ficar mais tempo pra ajudar a professora(mas ela me ignorou e fez que não ouviu), eu sofri bulling na outra escola que eu estudei pelo mesmo motivo CORAGEM DE DIZER QUEM SOU, na saída ele veio em minha direção e gritou VOCÊ NÃO TEM MEDO DE MIM! e fez que ia tirar uma faca do bolso e eu peguei uma lapis da minha mochila pra me defender(agora eu percebi que foi uma ideia idiota), e le deu uma rasteira e me derrubou no chão(era no asfalto) e quebrou meu lapis, depois ele me segurou e comecou a me chutar e a me dar socos, metade da turma viu e ninguem fez nada, isso foi de dia a tarde e no centro, muita gente viu e saiu do comercio pra me ajudar e para separar a briga(não sei se fariam o mesmo se soubessem o que eu sou) a diretora estava chegando e ela viu eu apanhando e ela me ajudou(tem professoras que são legais, mas tem algumas que são maldosas) ela me acudiu e também outras professoras do turno da tarde(que não sabiam que eu era gay) viram e me ajudaram, e me levaram para delegacia para eu fazer B.O eu cheguei muito assustado e nem disse que eu sou gay (SEI QUE TALVES SE EU TIVESSE DITO NINGUEM TERIA DADO ATENÇÃO), cheguei lá chorando e humilhado, eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo, eu queria que alguém me ajudasse! antes que eu virasse mais nas estatísticas de LGBT mortos, as vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a unica solução pra mim é me matar, POR FAVOR ALGUEM ME AJUDA!"

Esta é a carta de um alvo de bullying pedindo ajuda.
Uma rádio da cidade abordou o pedido de socorro e o município de 75 mil habitantes na Região das Missões, a 459 km de Porto Alegre, próximo à fronteira com a Argentina, conheceu mais este caso de homofobia e agressão. O menino, aluno do primeiro ano do ensino médio, denuncia que sobre preconceito pelos alunos do colégio onde estuda e até de professores. Que ao ser ameaçado por outros alunos pediu socorro aos professores que o ignoraram. Ele era xingado em plena sala de aula e chegou a ser ameaçado de morte. Tudo isso por ser homossexual assumido. Ele chegou a ser perseguido fora do horário de aula e foi agredido por outros alunos com socos e pontapés até que a diretora e outros transeuntes o socorreram. O fato aconteceu no último dia 13 e dois dias depois o menino denunciou o ocorrido.

Com a repercussão do caso, foi feito um boletim de ocorrência e os agressores serão punidos, garantiu o coordenador regional da 14ª CRE, Adelino Seibt, em entrevista no programa Rádio Visão. Os pais dos alunos foram chamados e foi registrado o caso em ata. A punição pode chegar de suspensão a transferência do agressor. O incidente levou a secretaria estadual de Educação a ver a importância do debate do tema bullying nas escolas.

Por sorte, o rapaz conta com uma família que o dá suporte, mesmo assim, pelo relato do rapaz, é possível ver como é difícil o combate ao bullying sem apoio institucional – seja da família, seja da Escola. Deste modo, urge a necessidade de um programa como o Escola sem Homofobia, que não resolve por si só, mas dá ferramentas para alunos, pais e professores possam identificar e intervir em momentos críticos e decisivos.

Apesar da rápida solução do caso, os pais do garoto decidiram transferi-lo para uma escola particular, onde entendem que o filho estará mais seguro.
"Fonte: Santo Angelo-RS"

(Foto: "O amor é mais alto do que .... a pressão para ser perfeito". Demi Lovato)

sábado, 14 de maio de 2011

Professor em Ação: O que fazer para acabar com o bullying?

Olá Amigos Professores!

Esta semana, estive conversando com vários professores que me pediram dicas práticas, para serem feitas no cotidiano escolar, sobre a prevenção ao bullying. Achei interessante postar algo aqui para vocês, aproveitem!

Enquanto professor, o que posso fazer para prevenir o bullying em minha sala de aula?
  • Explicar o que é bullying
  • Sugerir livros sobre o assunto como atividade de leitura
  • Esclarecer que práticas de bullying não são toleradas na escola
  • Estimular as denúncias
  • Mostrar importância quando surgir alguma dúvida, sugestão ou denúncia
  • Ser receptivo e verdadeiro para com os problemas apresentados pelos alunos
  • Valorizar comportamentos justos e morais (Ex. quando alguém assume um erro, é prestativo, etc...)
  • Agradecer quando alguém denuncia um caso e mostrar seriedade
  • Estimular os alunos a buscarem soluções para o bullying
  • Montar um projeto de bullying na escola
  • Deixar que os alunos criem regras para a classe em prol da melhoria nas relações de convívio
  • Informar-se sobre as características do fenômeno
  • Fazer atas e assembléias sobre assunto relevantes para os estudantes
  • Identificar possíveis alvos
  • Identificar possíveis autores de bullying
  • Estimular os espectadores a serem ativos no combate a violência 
  • Acompanhar atentamente e importar-se com o rendimento escolar de seu aluno
  • Estimular o relacionamento em grupo, quebrando sempre que possível as panelinhas (oportunidade para a integração de todos)
  • Assumir o papel de profissional de educação e todas as responsabilidade que a profissão demanda
  • Cobrar da escola um projeto de prevenção que envolva a capacitação dos educadores e o envolvimento dos pais no assunto. 

Lygia Fernanda com professora Marcela durante curso "Lidando com o bullying nos espaços escolares"

 Grande Abraço,
Carolina Giannoni Camargo

terça-feira, 19 de abril de 2011

Professores Felizes

Espanha: Professores satisfeitos com ambiente escolar
Andreia Lobo| 2011-04-13 - Fonte: http://www.educare.pt/educare/Imprimir.aspx?contentid=90393CEFE1CE07B4E0400A0AB8001D4Bchannel=1EE474ED3B3E054C8DCFD48A24FF0E1B&schema=


Estudo sobre convivência escolar realizado em Espanha diz que 90% dos professores "sentem-se bem na escola" e 82% têm "muito orgulho em trabalhar como docente". Apenas 3% dos inquiridos manifestam "um desgaste profundo" com a profissão.

Diagnosticar problemas na vivência diária entre alunos e professores foi o objetivo do estudo realizado pelo Observatório Estatal da Convivência Escolar, em Espanha, cujos resultados foram agora apresentados. Trata-se do mais completo estudo feito até hoje: envolveu 23 100 alunos, 6175 professores, 10 768 famílias e teve início em 2008.
Apesar da satisfação com o ambiente escolar, a falta de disciplina na sala de aula sentida por 21% dos inquiridos neste estudo "é o que os mais desgasta". Como resposta à indisciplina, o professor dever exercer uma "autoridade de referência", diz Maria José Díaz-Aguado, catedrática de Psicologia da Educação, da Universidade Complutense de Madrid, e responsável pela investigação, em declarações ao jornal El País.

Em Portugal, os docentes concordam: "A autoridade pura e dura há muito deixou de funcionar na sala de aula", realça Helena Rangel. Mas do desinteresse dos alunos pela escola, até ao ambiente desejado de empatia e colaboração com os professores, há um longo caminho a percorrer.

"A cultura do esforço foi-se perdendo no contexto escolar." É nesta evidência que a professora de Francês, no 7.º e 8.º ano, encontra uma das razões para a indisciplina na escola. A "ausência de valores" e a "falta de rigor no trabalho" têm também a sua quota de responsabilidade, diz Helena Rangel. Mas o fenómeno não fica completamente contextualizado sem a alusão "à falta de regras que os alunos deveriam começar por adquirir no seio familiar", acrescenta Liliana Ferreira, professora de Inglês no 5.º e 6.º ano.

A investigação trouxe ainda uma novidade que estará a ser por estes dias testada no sistema educativo espanhol: a criação de um instrumento de auto-diagnóstico do ambiente escolar vivido em todo o território. Uma ferramenta informática que permite a recolha de informação junto de professores e alunos, através da resposta a perguntas sobre aspetos como: o desgaste do corpo docente, a qualidade das relações entre alunos ou a eficácia das sanções aplicadas.

Em declarações recentes ao jornal El País, a investigadora responsável pelo estudo salientou que o problema da indisciplina "sempre existiu". Das conclusões, Díaz-Aguado destaca a importância da tomada de consciência social para estas questões. E aponta um caminho: os professores devem exercer uma "autoridade de referência" na sala de aula.

A lecionar a alguns quilómetros da fronteira com Espanha, José Reis conhece bem as diferenças entre os dois sistemas de ensino vizinhos. De todas, anota a que lhe parece mais importante para comparar a realidade educativa dos dois países. "Em Portugal a maior preocupação é com a estatística e as metas [de aprendizagem] e não com a formação do aluno enquanto cidadão."
Sem perder de vista estas diferenças, o professor de História, no 3.º ciclo, esboça um sorriso quando lhe falam em "autoridade através da confiança". Será aplicável à realidade portuguesa? "Estão dados pequenos passos nesse sentido", responde José Reis com algumas reticências. "Daqui a 10 ou 15 anos, talvez seja possível ver essa mudança nas escolas portuguesas", especula lembrando que para isso não contribui o facto de "o trabalho do professor continuar a ser desmerecido", na opinião pública.

Liliana Ferreira, colega de profissão, concorda com o que diz a investigadora Díaz-Aguado: "A confiança que os alunos possam ter no docente ajuda a criar a empatia e respeito pela figura do professor". Mas é menos otimista que José Reis quando se pronuncia sobre a aplicabilidade - ainda que a uma década - da "autoridade de referência" nas escolas portuguesas. "Essa ideia acaba por ser utópica, podemos partir dela mas todos os contextos são diferentes e a solução para a indisciplina não será igual para todos os alunos."

Tendências na convivência

A convivência entre pares foi uma das vertentes analisadas no estudo espanhol. A forma como os alunos se tratam entre si resulta num indicador importante sobre o seu comportamento na escola.
Das respostas obtidas quando era perguntado aos alunos espanhóis se ouviam com frequência o conselho, "quando te baterem, bate também", 27% responderam que não. Por oposição, entre os conselhos mais ouvidos pelos alunos estão várias alternativas à violência: recorrer à autoridade, ignorar o problema ou tentar uma solução pacífica.

Conselhos que, segundo Diáz-Aguado, "são bem diferentes" dos que eram dados noutras épocas e que se aliam ao facto de agora os adolescentes vítimas de violência e perseguição escolar [bullying] tenderem mais a dar conta do problema em casa, aos pais.

Do lado dos professores, 90% afirmam sentir-se bem na escola e classifica a sua situação como boa ou muito boa. Sendo que, "82% dos professores dizem sentir-se muito orgulhosos de trabalharem como docentes", destaca Díaz-Aguado. Apenas uma pequena percentagem, em torno dos 3%, manifesta "um desgaste profundo" com a profissão.

A falta de disciplina na sala de aula que 21% dos professores admite sentir "é o que mais os desgasta", avalia a investigadora que aponta a camaradagem do corpo docente e o apoio da equipa diretiva como essenciais nestas situações.

Um dado obtido e que pode também estar a contribuir para este desgaste dos docentes espanhóis é a percentagem de aluno (4%) que admite perturbar ou impedir os professores de lecionarem as suas aulas. O descontentamento dos alunos com o ambiente escolar é sinalizado pelas respostas de 15% dos inquiridos nas quais afirmam que mudariam de escola, se pudessem.

Indisciplina sempre existiu
"Mas agora provavelmente existe mais", diz Díaz-Aguado. "A revolução tecnológica aumenta a dificuldade para o esforço, a atenção e a memória controlada dos alunos." Resulta claro, para a catedrática da Universidade Complutense de Madrid, que os responsáveis por estas mudanças são "os processos do mundo digital".

Processos esses que "a escola deve ter em conta". "Entre outras coisas, é preciso dar muita mais hipótese de participação aos alunos", diz. "E isto acontece ainda mais com os nativos digitais, ou seja, os alunos que agora estão no ensino básico."

O insucesso escolar e o desinteresse pelas aulas são outros dos fatores que normalmente os investigadores associam à indisciplina. A razão da desmotivação pode estar, segundo Helena Rangel, "nos materiais usados para lecionar nas escolas". Recursos pouco atrativos que perdem em competição com as potencialidades do mundo digital.

Mas a situação pode ser revertida a favor da aprendizagem e do ensino. "Ao usar essas tecnologias na sala de aula o professor aproxima-se da linguagem dos alunos", salienta José Reis, que vê ainda nesta aproximação um fator decisivo para a boa convivência escolar.

Outro contributo "importante" para esta "paz" letiva , passaria pela "credibilização do trabalho docente", diz o professor de História. Uma missão que caberia não apenas às autoridades educativas [Ministério da Educação e Governo], mas também aos meios de comunicação. Algo que permitiria mudar a opinião pública negativa em torno da classe. No entanto, não é esta a realidade portuguesa. "Os media nunca mostram o professor como um símbolo para os alunos ou alguém com uma carga positiva", lamenta.

Autoridade de referência
Como consequência de uma profunda mudança na sociedade, "a forma de mostrar o respeito pela autoridade também mudou", realça Díaz-Aguado. Neste cenário, será verdade a ideia de que o professor perdeu a sua autoridade? Cerca de 58% das famílias inquiridas acreditam que sim, aponta o estudo do Observatório Estatal da Convivência Escolar, contra 42% que respondem não.

Também os pais espanhóis afirmam estar a sentir essa perda de autoridade, segundo o mesmo estudo. Por isso, Díaz-Aguado concluiu: "Não se trata de um problema específico da sala de aula, mas de toda a sociedade." Em todo o caso, como podem a escola e os professores contribuir para a resolução deste problema? "Exercendo a autoridade e transmitindo confiança ao mesmo tempo", resume Díaz-Aguado.

Mas a autoridade de que fala Maria José Díaz-Aguado não se baseia no castigo à mínima falta do aluno. "Trata-se de uma autoridade baseada na confiança, uma autoridade de referência, em oposição à baseada no medo."

É antes uma autoridade que, segundo a investigadora, faz com que os alunos vejam no professor alguém que os ajuda a alcançar os seus objetivos . "Um aliado que está ali para os ajudar, alguém a quem possam acudir para procurar soluções justas para os conflitos."
Segundo o estudo espanhol, "os alunos dos professores que exercem esta autoridade de referência apontam uma melhor convivência" no ambiente escolar. De igual modo, "os diretores que creem que o seu corpo docente exerce este tipo de autoridade indicam melhor convivência nas suas escolas", diz Díaz-Aguado.

A lecionar em duas escolas portuguesas, Liliana Ferreira vive experiências opostas em termos de convivência escolar. "Numa escola, os casos de indisciplina são flagrantes, os alunos desestabilizam as aulas e até agridem os docentes", relata.

Neste cenário, a professora não vê "como viáveis" os princípios defendidos por Díaz-Aguado. "Temos mesmo de recorrer aos castigos para conseguirmos estabelecer os limites do razoável e do que não pode acontecer na sala de aula", explica.

Situação oposta vive na outra escola onde leciona. "O ambiente é completamente diferente", relata a professora, "também existem casos de indisciplina, mas muito menos graves". Esta realidade leva Liliana Ferreira a admitir que o "exemplo da autoridade de referência funciona perfeitamente" nesta escola porque "é possível dialogar com o aluno e chamá-lo à razão".

Ainda assim, "a sanção tem de continuar a existir", lamenta a investigadora espanhola. E neste ponto surge uma outra questão: a da perceção do castigo por parte dos alunos. "Apesar de tudo, o estudo diz-nos que, para os alunos, as sanções são vistas como justas mas ineficazes."
Esta certeza tanto da justiça como a ineficácia das sanções é uma opinião partilhada tanto pelos professores como pelos diretores de escola inquiridos no estudo. Enquanto professora, Helena Rangel vê a questão dos castigos assumir bastante importância na prática letiva. "O conceito de justiça é o que faz funcionar a autoridade dentro da sala de aula", diz.

Remetendo-se para o estudo, Díaz-Aguado reflete sobre a falta de autoridade ao nível familiar. Em particular sobre a incapacidade dos pais de exercerem eles próprios a sua "autoridade de referência" perante os filhos. "As famílias acusam muitas vezes as entidades patronais de abuso de poder, e isso é bom [mostram-se conscientes], mas ainda não encontraram outra forma de evitar que os filhos transgridam os limites."

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Passeata em Franca contra o bullying.

Escolas fazem passeata contra bullying em Franca


Manifestação reuniu estudantes, pais e professores de sete colégios

Fonte EPTV

Alunos, pais e professores de sete escolas de Franca fizeram uma manifestação contra o bullying nesta quinta-feira (14).
Mais de três mil pessoas, a maioria vestidos de branco, percorreram as ruas e avenidas da cidade pedindo paz nas instituições de ensino.
Cartazes foram levados com nomes das crianças assassinadas na semana passada em um colégio de Realengo, no Rio de Janeiro, como forma de apelo.
Em inglês, a palavra a palavra bullying significa amedrontar. Dois casos foram registrados este mês em Ribeirão Preto.
No dia 1º, uma estudante de enfermagem da Universidade Barão de Mauá teria sido agredida por outras três meninas dentro da faculdade. Ela teve fraturas no rosto e registrou Boletim de Ocorrência. A confusão começou porque ela teria reclamado com a direção da instituição de estar sofrendo ameaças. 
E nesta quarta (13), duas adolescentes foram ameaçadas com um canivete por um casal de irmãos menores de idade na escola municipal Anísio Teixeira, no Jardim Iguatemi. A ação somente não se concretizou porque inspetores do colégio impediram.

1000000 de visitantes!

Hoje o Blog comemora 1.000.000 de visitas! 1 milhão de pessoas que chegaram até aqui em busca de informações sobre bullying. Obrigada po...