Existe um culpado para o acontecimento do bullying? Como devemos punir os responsáveis?
São inúmeros os motivos que levam um autor a praticar o bullying, assim como são várias as causas para um alvo se tornar tão frágil diante as agressões.
Quando se trata de culpados verificamos que existem muitos lados a serem analisados.
Os espectadores de bullying são alunos que não estão diretamente ligados ao caso, ou seja, não são alvos e nem autores, porém presenciam as agressões.
Sem a existência de um público, os autores de bullying não teriam para quem se destacar, uma vez que a violência é entre pares. Podemos concluir que o bullying só existe por causa dos espectadores, pois, o autor, busca aplausos da platéia.
Porém, este motivo não é o suficiente para culparmos os espectadores pela existência do bullying, uma vez que encontramos os seguintes aspectos a serem analisados:
· Ainda hoje, muitos espectadores não sabem da existência do fenômeno ou da gravidade das suas conseqüências, por isso, acham naturais e consideram uma brincadeira as atitudes dos autores de bullying;
· Os espectadores, normalmente, não são estimulados a refletirem sobre a agressão verbal, moral e psicológica e acabam por adotarem apelidos pejorativos e difamações relacionadas a algumas pessoas, dando continuidade ao ciclo do bullying;
· Outros, como meio de defesa, aliam-se aos autores de bullying e os apóiam na hora da agressão. Pensam que é melhor estar junto de quem bate, do que ao lado de quem apanha. Neste caso, o autor de bullying ganha o apoio da platéia e fica fortalecido.
· Os espectadores, sem o incentivo da escola por meio de um projeto, não sabem que ações simples como não rir ou levar adiante apelidos pejorativos, podem fazer a diferença. Estimulá-los a denunciarem os casos é uma grande maneira de identificarmos o quanto antes, evitando que suas conseqüências tornem-se irreversíveis.
Outro lado a ser analisado é a grande queixa da maioria das escolas: a negligência dos pais diante a educação de seus filhos.
Hoje, encontramos muitos pais que incentivam a violência dentro de casa, substituindo a conversa e o ensinamento pelas agressões e gritos. Ainda, encontramos aqueles que não colocam limite aos filhos, permitindo que eles façam tudo aquilo que tem vontade, sem se preocupar em respeitar as pessoas, os lugares, os objetos e animais.
O resultado:
· As crianças vão à escola e refletem a maneira que vivem em casa, resolvem seus problemas como lhe ensinaram, por isso, se aprendem apanhando, por que não se relacionar com o outro, impondo suas vontades, batendo?
· Uma criança que não aprende a dividir, preservar o que é do outro, e que não respeita seus pais, quando chegar à escola, respeitará amigos e professores?
· A escola pode ajudar os pais a identificarem um possível envolvimento de seus filhos com o fenômeno bullying. Através de uma palestra, indicação de livros e debates sobre bullying, estes poderão identificar o quanto antes o envolvimento de seus filhos com o fenômeno e buscar ajuda antes que as conseqüências se agravem.
Existe, ainda, uma questão muito importante a ser discutida: a omissão da escola frente aos casos de bullying.
· Identificamos que muitas escolas preferem omitir seus casos ao invés de resolvê-los, deixando de lado as graves conseqüências para os alunos, escola e sociedade.
· É importante lembrar que esta instituição tem o dever de formar alunos e cidadãos e garantir-lhes a tranqüilidade física e mental, dentro de seus espaços escolares, para que estas crianças e jovens desenvolvam-se plenamente.
· Existem muitas escolas que fazem um excelente trabalho de prevenção e combate ao bullying, pois elaboram um projeto envolvendo pais, alunos, funcionários e educadores.
Portanto, não falamos em culpados, mas sim em pessoas responsáveis no combate e prevenção a esta violência, cada qual com seus deveres e papéis. Caso contrário, a punição aos responsáveis acontece por meio judicial.
Carolina Giannoni Camargo