Garoto multado por bullying xingou vítima de prostituta
"Tábua", "prostituta", "sem peito" e "sem bunda". Estas eram as ofensas disparadas pelo adolescente condenado por praticar bullying contra uma colega de classe, em uma escola particular de Minas Gerais. A história ganhou repercussão nesta terça (19), com a publicação da sentença pela 27ª Vara Cível, de Belo Horizonte. O magistrado Luiz Artur Rocha Hilário, que julgou o caso, entendeu que a ação, movida pela família da garota, era procedente e determinou o pagamento de indenização por danos morais, fixada no valor de R$ 8 mil.
As agressões verbais ocorreram em 2008, quando os envolvidos tinham 13 anos e cursavam a 7ª série do Ensino Fundamental, mas só ontem começou a se desenhar um desfecho para o caso. De acordo com Marconi Bastos Saldanha, advogado contratado pelos pais da vítima, hoje com 15 anos, os xingamentos provocaram um processo de depressão na adolescente.
-Ele fazia críticas ao corpo dela, dizendo que ela não tinha peito, bunda. Chamava a menina de prostituta. Falava que ela era uma tábua. Tentou cortar o cabelo dela em plena sala de aula. A menina estava disposta a não voltar mais à escola. Ficou deprimida em função disso e precisou de tratamento psicológico. Teve muita dificuldade naquele semestre.
O advogado contou que o colégio foi informado sobre o que vinha acontecendo, mas teria custado a tomar uma providência.
- Os pais conversaram com a escola no sentido de tirar o aluno da sala e colocá-lo em outra turma. Como a instituição não tomou a providência, os pais decidiram pela ação na Justiça.
Segundo Saldanha, a vítima conviveu com o problema por cerca de cinco meses.
- Depois de proposta a ação, o garoto mudou a conduta dele. No semestre seguinte, a escola transferiu o menino de sala. Em 2009, os dois já não eram mais colegas de classe.
O advogado Rogério Vieira Santiago, que defende o adolescente, adiantou que entrará com recurso na Justiça por entender que não ficou configurado o bullying.
- O conjunto das provas não conduz à essa conclusão. A figura do bullying em si não é um mero aborrecimento. Um mero aborrecimento não gera um dano moral. O bullying é o comportamento agressivo dos adolescentes. Iniciou-se nos Estados Unidos, onde menores se digladiavam em escolas, humilhavam uns aos outros. Isso não é a realidade brasileira. E não ocorreu neste caso - afirmou, evitando revelar detalhes do processo.
Segundo a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça, o juiz Luiz Artur Rocha Hilário entendeu que "o dano moral decorreu diretamente das atitudes inconvenientes do menor estudante, no intento de desprestigiar a estudante no ambiente colegial, com potencialidade de alcançar até mesmo o ambiente extra-colegial".
O magistrado, conforme a assessoria, classificou de "brincadeiras de mau gosto" as atitudes do menino e concluiu que elas geraram problemas à vítima. Por essa razão, considerou que os pais do garoto deveriam ser responsabilizados, "nos termos da lei civil". Rocha salientou que a discussão envolvendo o bullying é peculiar e nova no âmbito judicial.
Para Santiago, o debate precisa ser amplificado.
- No mínimo se algo aconteceu, foi dentro dos muros da escola, sob a responsabilidade dos educadores da escola. Se houvesse qualquer responsabilidade dos meus cliente, acredito que não há, a escola teria que ter mais ainda.
O advogado da vítima, por sua vez, informa que não houve ação de dano moral contra o colégio.
- A escola só foi envolvida, porque mesmo com a reclamação dos pais, a instituição deixou que os dois permanecessem juntos até o fim do ano. Em nenhum momento foi pedida indenização ao colégio. Solicitamos apenas que a escola desse uma orientação especial ao garoto, o que foi julgado improcedente.
Notícia retirada do site Terra Magazine, escrita por Ana Cláudia Barros e postada na data: Quinta, 20 de maio de 2010, às 08h16
Juiz de MG condena família de estudante a indenizar colega por bullying. Pais do adolescente terão de pagar R$8 mil. Cabe recurso da decisão na primeira instância.
O juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível de Belo Horizonte, condenou um estudante de 7ª série a indenizar uma colega de classe em R$ 8 mil pela prática de bullying, segundo informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Cabe recurso da decisão.
De acordo com o processo, a estudante ganhou apelidos e começou a ouvir insinuações do colega logo no início do convívio escolar. A menina disse ainda que as “incursões inconvenientes” passaram a ser mais freqüentes com o passar do tempo. Segundo a decisão, os pais da garota chegaram a conversar na escola, mas não obtiveram resultados satisfatórios.
Além de indenização por danos morais, a estudante pediu a prestação, pela escola, de uma orientação pedagógica ao adolescente, o que o juiz considerou desnecessário. “O
exercício do poder familiar, do qual decorre a obrigação de educar, segundo o artigo 1.634, inciso I, do Código Civil, é atribuição dos pais ou tutores”, disse na decisão.
Ainda de acordo com o processo, o representante do colégio declarou que todas as medidas consideradas pedagogicamente essenciais foram providenciadas.
No processo, os responsáveis pelo estudante disseram que brincadeiras entre jovens não podem ser confundidas com a prática do bullying e afirmaram que o adolescente, após o ajuizamento da ação, começou a ser chamado de “réu” e “processado”, com a pior conotação possível.
Pelas provas, o juiz considerou comprovada a existência do bullying. “O dano moral decorreu diretamente das atitudes inconvenientes do menor estudante, no intento de desprestigiar a estudante no ambiente colegial, com potencialidade de alcançar até mesmo o ambiente extra colegial”, disse na decisão.
Analisando as atitudes do estudante, o juiz destacou que, apesar de ser um adolescente e estar na fase de formação física e moral, há um limite que não deve ser excedido.
Para ele, as atitudes do estudante “parecem não ter limite”, considerando que, mesmo após ser repreendido na escola, prosseguiu em suas atitudes inconvenientes com a estudante e com outras colegas.
“As brincadeiras de mau gosto do estudante, se assim podemos chamar, geraram problemas à colega e, conseqüentemente, seus pais devem ser responsabilizados, nos termos da lei civil”, concluiu o juiz.
19/05/2010, 16h14 – Matéria retirada do G1/Educação.
Rodado nos Estados Unidos e dirigido por Tom McLoughlin, é uma adaptação do livro de Raquel Simonn, traduzido como “Garota fora do jogo: a cultura oculta da agressão às meninas.
O filme mostra um alvo de bullying, no caso, uma menina chamada Vanessa. Vanessa era uma das garotas populares da escola e passa a ser agredida psicologicamente durante o filme.
Quem mais a agride é a sua ex melhor amiga, Stacye. Esta espalha difamações, gozações, chacotas e apelidos pejorativos por meio de mensagens de celulares, internet e, às vezes, pessoalmente.
Quem assistiu ao filme viu como é difícil a vida de um alvo de bullying e, também, como é ineficaz a ajuda daqueles que querem o bem da pessoa, mas que não possuem informação sobre o fenômeno e maneiras corretas sobre como agir diante aos casos de bullying.
No filme, Vanessa recebe o apoio de uma amiga que também é alvo de bullying. Esta diz que: AUTORES DE BULLYING SÃO COMO TORNADOS: POR ONDE PASSAM DESTRÓEM TUDO!
Em Odd Girl Out, o bullying quase destruiu a vida da adolescente Vanessa, que passou a sofrer depressão, tristeza, angústia, transtornos comportamentais e, até mesmo, tentativa de suicídio. Essas conseqüências também acontecem na vida real, uma vez não existente uma intervenção eficaz no combate ao bullying.
A escola não propôs nenhuma ação para a resolução do caso no filme. A amiga Stacye, assim como o seu grupinho de meninas autoras, fazia páginas na internet induzindo que Vanessa era gorda e feia; mandava mensagem no celular de Vanessa dizendo que ninguém gostava dela; riam dela e a isolavam nos espaços escolares.
Vejam como o bullying acontece silenciosamente... As mensagens de celulares eram enviadas na sala de aula, com a presença da professora. O isolamento sempre passa despercebido. Identificar o bullying não é fácil!
Vejam, também, como o alvo também precisa ser “trabalhado” num projeto anti bullying. Vanessa se importava muito com as ameaças das autoras. É preciso sempre elevar a autoestima do alvo de bullying e trabalhar nele a autoconfiança.
Por fim, o filme mostra bullying direto, indireto e cyberbullying e pode ser passado no ensino fundamental e médio, para que, estas séries iniciem uma discussão sobre bullying. Saber que ele existe é o primeiro passo para combatê-lo e preveni-lo!!!
Aline Isabela Archangelo e Carolina Giannoni Camargo, da Semeare Assessoria Pedagógica, participaram do programa do Fabiano Fachini, na Radio Brasil Campinas. No dia 27 de abril, elas deram entrevista sobre bullying.
É isso aí!! O primeiro passo para se combater e prevenir o bullying é a informaçao!!
DIJ registra a média de um caso a cada 2 dias; silêncio das vítimas e da família dificulta punição ao agressor
Uma rotina de humilhações, ofensas e violência psicológica sistemática. Assim foram os últimos quatro anos da vida escolar de F.P.M., de 15 anos.
As perseguições começaram na 5ª série, quando o garoto resolveu fazer uma apresentação musical na escola onde estudava. “Nunca gostei de futebol e desses esportes que todo mundo pratica. Sempre gostei de atuar, mas os outros alunos nunca entenderam e começaram a me perseguir”, disse.
Ele conta que passava os recreios sozinhos e os demais colegas se afastaram com medo de também serem motivo de zombaria.
“O mais triste foi quando minha melhor amiga se afastou com medo de também ser discriminada.” Atualmente, o adolescente estuda em outra escola e as agressões passaram, mas as marcas da violência psicológica deixaram cicatrizes. “Ainda tenho medo de que tudo isso volte a acontecer”, disse.
O drama de F.P.M. não chegou a ser denunciado à polícia e mostra que os números da violência nas escolas podem ser muito mais graves do que mostram as estatísticas.
A Delegacia da Infância e Juventude de Campinas tem registrado cerca de 15 casos por mês de violência dentro das escolas da cidade, entre crimes classificados como bullying ou não.
Segundo o delegado titular, Carlos Semionatto, a maior parte das ocorrências sequer chegam ao conhecimento da polícia e os dados estão subdimensionados.
“A polícia costuma ser procurada só em última instância. Achamos incorreto isso porque muitas vezes o agressor já vinha cometendo outras infrações e só denunciam quando a situação é extrema”, afirmou.
A preocupação do delegado é acompanhada pela advertência da promotora da Vara da Infância e Juventude Elisa Divittis Camuzzo.
Ela afirma que, embora o Ministério Público (MP) não possua estatísticas oficiais, os casos de violência escolar vêm aumentando. “Sou promotora há 13 anos em Campinas e percebo que a situação tem se agravado. Vivemos um conflito constante e isso me preocupa. Na cidade, existem algumas iniciativas que procuram tratar os conflitos, mas no momento não tenho percebido resultados, talvez a longo prazo”, disse.
Os casos que correm na Vara da Infância e Juventude ficam sob segredo de Justiça, mas a reportagem teve acesso ao processo de um aluno de 13 anos, de uma escola particular da cidade, que está sendo investigado pelo crime de tráfico de drogas.
Prevenção
A coordenadora da Taba, uma organização social sem fins lucrativos de Campinas, Kelly Vanessa Kirner, realiza um trabalho de prevenção à violência nas escolas municipais da cidade e acredita que a maior exposição dos casos pela imprensa tem ajudado no combate à violência escolar.
“Antes, a maioria dos casos eram velados, agora não. Infelizmente, as escolas da rede pública são as que mais sofrem por causa da falta de infraestrutura, mas sabemos que ocorrem casos na rede privada. O problema é que muitos pais de alunos em locais mais pobres não costumam enxergar a escola como meio de transformação social. A ausência de acompanhamento desses pais do dia a dia dos alunos agrava o quadro”, explicou.
A reportagem da Agência Anhanguera de Notícias (AAN) esteve na Escola Estadual Elvira de Pardo Meo Muraro, localizada no bairro Jardim Florence 1, periferia de Campinas e conversou com pais e alunos.
Durante a saída da escola, a reportagem flagrou dois menores empinando motos na frente do local, enquanto outras crianças saíam da escola.
O aposentado Miguel Jair, é pai de uma aluna da escola e reclamou bastante da segurança no lugar. “A segurança aqui é precária, policiamento não tem, aí essa molecada aproveita aqui”, disse.
O motorista de uma van escolar que não quis se identificar afirmou que a desorganização é comum no local. “Isso aqui é uma baderna, não tem polícia”, disse.
A 2ª Companhia do 47ª Batalhão de Polícia Militar, responsável pela área, informou que a unidade possui apenas duas viaturas para atender cerca de 80 escolas estaduais da região do Campo Grande até a Vila Padre Anchieta e que não tinha conhecimento do problema em frente à escola.
Ameaças e vandalismo
A diretora da escola, Zilda Aparecida Lyra, informou que, na última semana, um aluno de 16 anos chegou a ameaçar um professor de agressão, caso ele não mudasse sua nota. Na ocasião, a ronda policial foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado.
“Temos casos de vandalismos, ameaça a professores e entre alunos, mas a situação vem melhorando. Nossa escola tem 2 mil alunos em três turnos e identificamos que o maior problema é a falta de respeito mútuo. Procuro ser firme no dia a dia para controlar a situação, mas muitas vezes o problema parte de casa. Tem pais que acham que pelo fato de a escola ser pública é terra de ninguém, os filhos apenas reproduzem seu comportamento”, afirmou.
Uma das alternativas encontradas para enfrentar o problema e muito difundida no Brasil é a Justiça restaurativa. A psicóloga Leni Massei trabalha na Vara da Infância e Juventude e foi capacitada no programa. A iniciativa, que reúne as partes envolvidas nos conflitos dentro das escolas, tenta resolver o problema sem a intervenção da Justiça.
“É toda uma ideia de compreensão mútua . Colocamos ofensor e ofendido para conversar e juntos tentarem se entender, é uma ótima iniciativa”, afirmou. Segundo a psicóloga, o trabalho interrompe a ação de criminalização dos desentendimentos dentro das escolas.
(Reportagem de Henrique Beirangê)
Pessoal, vale lembrar que o autor de bullying precisa de ajuda também!!! Por isso, a necessidade de um trabalho SÉRIO, com ESPECIALISTAS no assunto.
A partir de hoje, estarei divulgando um filme por semana que fala sobre o bullying.Isso ocorrerá toda sexta, e começa por hoje!
Na quarta feira seguinte, farei um comentário sobre o filme.Mandem dúvidas, opiniões, comentários e perguntas, que responderei neste dia!Beijos.
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O filme desta sexta feira chama-se "Odd Girl Out", traduzido para o Brasil como "Garota fora do jogo".
É uma adaptação de um livro que possui o mesmo título, e foi escrito por Rachel Simmons. Neste filme, o bullying acontece entre meninas, e é interessante ver como o bullying é, mesmo, uma violência velada! Aparece cyberbullying também! Vale a pena assistir para entender melhor o bullying...
Quarta comentaremos um pouquinho mais sobre ele! Beijos...
Segue o capítulo 5 do meu livro "'Brincadeiras' que fazem chorar!", 2ª edição, que estará disponível para compras no mês que vem, aqui no BLOG ou nas grandes livrarias!!!
Caso queiram citá-lo em seus trabalhos, lá vai a referência:
Camargo, C. G. "'Brincadeiras' que fazem chorar! Introdução ao Fenômeno Bullying" 2ª Edição. São Paulo: All Print Editora, 2010. Capítulo 5.
O Bullying na Educação Infantil
Observamos a agressividade na educação infantil a partir de inúmeros episódios que encontramos no cotidiano escolar e em casa.
A agressão - quase sempre desencadeada por alguma frustração - é um comportamento que possui a intenção aparente de machucar outra pessoa, sendo às vezes, motivado pela disputa de algum objeto.
A agressividade nesta fase tende a sofrer mudanças em sua forma, freqüência e na motivação para esta ação. Ao longo dos anos a agressividade tende a diminuir ou modificar-se conforme a criança passa pelas etapas do seu desenvolvimento cognitivo; vivencia experiências construtivas; socializa-se e encontra nos pais ou professores um mediador para as suas ações.
Para agirmos de forma assertiva nos momentos de conflitos precisamos conhecer as etapas no qual as crianças se encontram e, para isso, tomo como ponto de partida as idéias de Jean Piaget.
Para Piaget o desenvolvimento cognitivo é um processo contínuo no qual o indivíduo constrói e reconstrói estruturas em busca de um equilíbrio. Dessa forma o indivíduo passa por várias fases de desenvolvimento denominadas por Piaget como “Estágios”, e os classifica em quatro etapas.
Neste capítulo veremos brevemente as duas primeiras, pois, são elas que aparecem durante o tempo em que a criança se encontra na educação infantil.
A primeira etapa é a Sensório-Motora, e se estende do nascimento até os dois anos de idade. A segunda etapa é a Pré-Operatória, abrangendo as crianças de dois a sete anos de idade.
Observamos acima que há um indicativo de idade para cada estágio. É importante lembrar que essas faixas etárias são variáveis. Isso porque cada ser humano é singular, possuindo características biológicas próprias e estímulos externos diferentes que formam as variantes destes indicativos. O mais importante é lembrar que a ordem dos estágios é sempre respeitada indiferente do início e término de cada uma delas.
No primeiro estágio, o Sensório-Motor, as crianças:
·Agem por meio dos reflexos neurológicos.
·Participam do mundo de forma direta, objetiva sem formular reflexões e pensamentos.
·Conhecem o mundo pelos sentidos, levando os objetos até a boca e prestam atenção em cada ruído ocorrido a sua volta.
·Desenvolvem-se emocionalmente.
·Criam a noção do tempo, espaço e objeto por meio da ação.
Através da construção destes esquemas as crianças assimilam o mundo a sua volta. E, ao término deste estágio, pode perceber-se parte de um conjunto, no qual ações e interações acontecem.
A fala é construída neste estágio e justamente por não dominá-la a criança opta por comunicar-se principalmente pela linguagem corporal, utilizando o choro, a mordida, a birra, a manha, as expressões faciais e os gestos para interagir com o meio.
Neste estágio de desenvolvimento cognitivo, os conflitos que ocorrem entre as crianças em casa e também na escola são iniciados, geralmente, pela disputa de um brinquedo, de um livro, pela posição ao sentar-se na roda ou mesmo pela atenção do professor, avôs, pais.
A criança não morde o colega da turma, por exemplo, porque tem a intenção de machucá-lo, de feri-lo gratuitamente como ocorre no bullying. Essas agressões ocorrem por ser o caminho mais curto para alcançar o seu objetivo.
No segundo estágio, denominado por Piaget como Pré-Operatório:
·Ocorre o despertar da comunicação, a criança ganha ano a ano um vocabulário cada vez mais extenso, facilitando a socialização.
·Conhece e gosta de brincar com o outro, interagir e se comunicar.
·Há um avanço no desenvolvimento cognitivo, social e afetivo em decorrência da aquisição da linguagem.
Este é o estágio no qual a famosa frase “mas por quê?” aparece. Para a criança tudo tem que ter uma explicação. Nesta etapa ela tende a não relacionar fatos e, embora haja um avanço no desenvolvimento social da criança, o egocentrismo, ainda assim, é marca registrada desta etapa uma vez que, a criança, não concebe a existência de outras realidades na qual ela não faça parte.
Os conflitos entre os colegas da classe continuam a existir, seja pela disputa por algum objeto ou pela atenção de uma pessoa querida. Como antes, a criança ainda pode resolvê-los de forma a utilizar a linguagem corporal (birra, mordida, choro) como tentativa de resolução do conflito, mas esta escolha tende a diminuir.
Como adquiriu um vocabulário mais extenso neste estágio, a criança pode recorrer ao professor e contar o que houve. Observamos que, por volta dos cinco e seis anos de idade, a criança é capaz de inventar apelidos pejorativos para seus colegas de turma, criar panelinhas, excluir, provocar e até humilhá-los.
Desta forma, ao conhecermos estes dois estágios podemos entender que uma mordida ocorrida durante um conflito entre crianças de dois anos deve ser interpretada e mediada de forma diferente se ocorrida entre crianças de cinco e seis anos de idade.
Na escola, o professor de educação infantil, assim como os outros profissionais envolvidos no processo de educação das crianças pequenas, propicia a elas a proteção e a segurança necessária para que estas se sintam confortáveis longe de seus lares.
Quando uma criança busca o seu professor para resolver algum conflito existente durante a sua rotina na escola, ela espera que este, de fato, dê importância para a sua causa e resolva a questão.
Muitas vezes e por inúmeros motivos, essa intermediação por parte do educador para com o problema colocado pela criança não ocorre. Acentuando a tendência do aluno de não contar para o professor as suas inquietações e preocupações.
Para mediar os conflitos e as situações de agressividade ocorridos em sala de aula de maneira assertiva e construtiva, primeiro é preciso entendê-los. E nada melhor do que começar dando atenção aos envolvidos nestes episódios.
É importante pensarmos que todo conflito envolvendo agressividade entre as crianças na educação infantil deve ser uma ponte que os leva a um caminho de autoconfiança e construção.
Por isso, o papel dos pais e dos professores em mediar essas situações é tão importante quanto conhecer o estágio de desenvolvimento que a criança se encontra.
Ao pensarmos em uma situação no qual, como conseqüência de um atrito, uma criança de dois anos bate ou morde um colega da sua turma, não podemos dizer que esta é uma criança agressiva e que possui um transtorno de conduta.
Com esta idade o seu melhor e mais rápido mecanismo para alcançar o seu objetivo é por meio da linguagem corporal e pode utilizar-se da mordida com essa finalidade. A criança não entende que está machucando, pois o seu estágio atual do desenvolvimento cognitivo não permite que esta se coloque no lugar do outro.
Já nesta idade é preciso estabelecer limites, os pais e os professores devem deixar claro e sempre lembrá-los do que é permitido e o que não é. Birra, mordida, chute não é um comportamento adequado porque fere o outro e, por isso, não deve ser permitido.
Neste caso, os pais e os professores podem:
·Agir com tranqüilidade e naturalmente.
·Mostrar que a atitude não foi correta ao morder ou bater.
·Não super valorizar a agressão.
·Estipular limites.
·Sempre evitar que se machuquem e machuquem o outro.
Para amenizar os conflitos entre as crianças de 0 a dois anos de idade e, na tentativa de diminuir as agressões físicas como as mordidas, o professor pode trabalhar com brincadeiras e jogos cooperativos.
Criar muita ansiedade e tencionar ainda mais o conflito é desnecessário já que estas atitudes são típicas do primeiro estágio, e tendem a diminuir com o tempo.
No intuito de prevenir que os nossos filhos se envolvam com o fenômeno bullying no futuro, os sentimentos de amizade, respeito, carinho, união, alegria e tristeza devem fazer parte das atividades e do cotidiano da casa.
No segundo estágio de desenvolvimento, o Pré-Operatório, vimos que a criança já é capaz de agredir intencionalmente e, por volta dos cinco anos de idade, é capaz de inventar apelidos, formar panelinhas e até mesmo fazer “brincadeiras” de mau gosto.
Podemos notar que os conflitos existentes nesta etapa da educação infantil tornam-se diferentes; se antes a agressão acontecia pela disputa de um objeto, agora ela pode ser verbal e intencional.
É neste momento que o papel dos pais no combate e prevenção ao bullying é extremamente importante. É preciso trabalhar tanto com a criança que inventa apelido e faz gozações, quanto com aquela que recebe estas ações e não sabe como sair destas situações constrangedoras. E os pais podem ajudar os professores contando como a criança é em casa e ouvindo como a criança é na escola.
É nesta fase que os comportamentos de agressões físicas e morais e a baixa auto estima devem ser trabalhados evitando que tais características se acentuem.
A personalidade da criança é construída nos primeiros anos de vida e coincide com sua passagem pela educação infantil. Por isso, o papel e o exemplo dos pais e dos professores e, também, a forma com que eles resolvem os conflitos do dia a dia, ajudam a formar a base da educação da criança, evitando até mesmo que se envolvam com o fenômeno no futuro, seja como alvo ou autores de bullying.
Porém, como saber se a agressividade é ou tornou-se um desvio de conduta?
Neste capítulo vimos que cada estágio do desenvolvimento cognitivo possui suas características próprias e algumas ações são esperadas ou aceitas como parte integrante destas etapas.
Pensando na agressividade, esta tende a diminuir a partir do momento que a criança domina a linguagem, desenvolve-se emocionalmente e socialmente e passa para outro estágio. Porém, o que fazer quando a agressividade na criança não diminui?
Primeiro é preciso observar, refletir e entender alguns fatores importantes.
O comportamento agressivo pode ser acentuado ou atenuado de acordo com o ambiente familiar no qual a criança está inserida. Um aluno que vive em um lar cuja violência física e verbal acontece constantemente pode aprender com os exemplos e tornar-se agressivo na escola.
Ou então, uma criança extremamente mimada e que não possui em casa limites para as suas atitudes, encontra dificuldades na hora de dividir brinquedos e a atenção com os colegas durante a sua permanência na escola, podendo escolher o caminho da agressividade como válvula de escape.
Quando a criança pequena entra na escola, é muito marcante para ela, principalmente nos seus primeiros meses na escola, a diferença que é estar em casa e estar na escola.
Em casa, a criança geralmente é o centro das atenções, mesmo antes de nascer já conquistou a família e, caso não seja o único filho, quando tem que dividir seus brinquedos é apenas entre os seus irmãos.
Na escola, inserir-se no grupo é tarefa difícil para muitos. A criança divide a atenção da professora com os seus colegas de classe, assim como divide o brinquedo, o lugar ao lado de determinado amiguinho e os espaços escolares. Os conflitos surgem, e a agressividade pode aparecer como conseqüência.
Algumas situações são extremamente marcantes na vida das crianças: a separação dos pais, a perda de um animal de estimação, a morte de uma pessoa próxima a ela, o melhor amigo que foi para outra cidade, a mudança de casa e de escola, a viagem longa do pai ou da mãe.
Todos estes acontecimentos geram uma enxurrada de sentimentos que, muitas vezes, a criança não sabe como lidar. Quantos casos nós já ouvimos ou presenciamos de comportamentos agressivos em crianças que acabaram de ganhar um irmãozinho? Com o tempo ela aceita o novo membro da família, mas naquele momento, a agressividade foi à forma que encontrou de se expressar e de interagir.
Os pais e os professores de educação infantil devem mediar os conflitos levando-os sempre a um crescimento, a uma construção. Porém, durante o seu convívio com as crianças na escola, o professor pode deparar-se com situações em que a resolução não está mais em suas mãos.
É muito importante entender que, quando a agressividade persiste por muito tempo sem que haja aspectos momentâneos que estejam acarretando a sua permanência, podemos dizer que há um desvio de conduta. Neste caso, o professor deve pedir aos pais para buscarem a ajuda de um especialista.
Devemos destacar que a agressividade existe na educação infantil e que, como já vimos, pode ser desencadeada pela falta de limites, ausência de carinho e atenção, acontecimentos passageiros na vida da criança, ou até mesmo por não saber interagir com o outro senão, por meio da agressão.
Os pais devem mostrar a seus filhos outras maneiras de resolver os conflitos sem a utilização da violência, evitando encaminhar ao especialista, crianças que não possuem transtorno de conduta.
Quando há a necessidade de um encaminhamento, este deve ser baseado em fortes indícios, uma vez que a agressividade está presente na educação infantil, de forma natural.
Enfim, nem sempre a agressividade está ligada a um desvio de conduta, da mesma forma que nem todas as brigas existentes entre os alunos podem ser caracterizadas como bullying.
Prevenir o bullying, ainda na educação infantil, é uma medida importante para poupar nossos filhos de futuros sofrimentos causado pelo fenômeno.
Assista ao trailer do curta "A peste da Janice" aqui no blog Bully No Bullying! Vale a pena ...
O curta dirigido por Rafael figueiredo, em 2007, conta a história de Janice, filha da faxineira, que, no incício do ano letivo sofre, visivelmente, agressões psicológicas características do BULLYING.
Possui duração de 15 minutos e foi gravado no estado da Bahia / Brasil. Ganhou vários prêmios:
Menção Honrosa ABD&C no Curta Cinema 2007
Prêmio Porta Curtas no Curta Cinema 2007
Menção especial no Festival de Cine Iberoamericano de Huelva 2007
Melhor direção no Festival de Gramado - Mostra Gaúcha 2007
Melhor Fotografia no Festival de Gramado - Mostra Gaúcha 2007